Se tivesse mais gado no Pantanal desastre seria menor, diz ministra da Agricultura sobre queimadas

Se tivesse mais gado no Pantanal desastre seria menor, diz ministra da Agricultura sobre queimadas

A ministra Tereza Cristina (Agricultura) disse nesta sexta-feira (9) que o desastre ambiental provocado pelas queimadas no Pantanal seria menor, se houvesse mais atividade pecuária no bioma.

“Aconteceu um desastre porque nós tínhamos muita matéria orgânica seca, e, talvez, se nós tivéssemos um pouco mais de gado no Pantanal, teria sido um desastre até menor do que o que nós tivemos neste ano. Mas isso tem de servir como reflexão sobre o que é que nós temos de fazer”, afirmou a ministra, durante audiência na comissão especial do Senado, que acompanha as ações de enfrentamento às queimadas no Pantanal.

A ministra usa a polêmica tese do “boi bombeiro”, já defendida pelo ministro Ricardo Salles (Meio Ambiente) e bastante criticada por ambientalistas.
Segundo essa visão, o boi criado solto comeria o capim e assim ajudaria a diminuir a quantidade de material que ajuda a propagar o fogo. Setores ligados à pecuária usam esse argumento para criticar a diminuição do rebanho no bioma do Pantanal nos últimos anos.

“Eu falo uma coisa que, às vezes, as pessoas criticam, mas o boi ajuda, ele é o bombeiro do Pantanal, porque ele que come aquela massa do capim, seja ele o capim nativo ou seja o capim plantado, que foi feita a troca”, disse.

“É ele [boi] que come essa massa para não deixar que ocorra o que este ano nós tivemos. Com a seca, a água do subsolo também baixou em seus níveis. Essa massa virou o quê? Um material altamente combustível, incendiário, completou.

No mês passado, em audiência no STF (Supremo Tribunal Federal), a ministra já havia dito que a agropecuária e o produtor rural são os mais importantes aliados na preservação do meio ambiente e que “vilanizar a agricultura brasileira não ajuda em nada”.

Em sua fala no Senado, Tereza Cristina afirmou que o “pantaneiro” é o grande responsável pela preservação do bioma nos últimos anos. No entanto, ressalta, que a população nativa da região se empobreceu e que uma forma de economia sustentável na região é necessária para manter o meio ambiente.

“O pantaneiro, o homem do Pantanal preservou até hoje. Talvez a nossa pecuária que começou lá no passado, 200 anos atrás, no Pantanal. O Pantanal foi o celeiro, vamos dizer, da riqueza do nosso Estado lá no passado, com a pecuária extensiva, e, assim mesmo, nós chegamos hoje, em 2020, a um Pantanal com mais de oitenta e tantos por cento de preservação”, afirmou.

A ministra também pediu que se melhore a infraestrutura da região, para evitar futuros desastres. Tereza Cristina afirmou que, muitas vezes, os equipamentos para combater os incêndios existem, mas que existe problemas de logística que impedem que cheguem aos locais onde são necessários.

Tereza Cristina também afirmou que precisa haver bases de treinamentos para do “homem do Pantanal” para que ele e seus funcionários também sejam brigadistas, combatendo os incêndios.

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