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Livro revela Suzane manipuladora e detalhes da morte dos Richthofen

Livro revela Suzane manipuladora e detalhes da morte dos Richthofen

Uma Suzane passional, sedutora e acima de tudo manipuladora. É assim que o jornalista Ullisses Campbell apresenta a que considerou a “presa mais famosa do Brasil” ao longo das 279 páginas do livro “Suzane: Assassina e Manipuladora” que já está à venda pela Matrix Editora e tem lançamento em São Paulo nesta quinta-feira (23). Suzane Louise von Richthofen foi condenada a 39 anos de prisão por mandar matar os pais Manfred e Marísia von Richthofen, com a ajuda do então namorado Daniel Cravinhos e do irmão dele Cristian Cravinhos.

A publicação é polêmica e tentou ser barrada por advogados de Suzane a pedido dela que alegou não ter sido ouvida durante a apuração e que, por isso, traria fatos inverídicos. Ela obteve liminares favoráveis, o que fez a antiga editora desistir do lançamento. A última decisão que liberou de uma vez por todas a publicação é do STF (Supremo Tribunal Federal).

Para escrever o livro-reportagem dividido em 10 capítulos, o autor passou 3 anos pesquisando o tema e se debruçou em cerca de 6 mil páginas do processo de execução penal. Também realizou entrevistas com advogados, promotores, delegados, médicos legistas, psicólogos, mas também com 56 detentas e 16 funcionários das penitenciárias por onde passou Suzane ao longo dos 16 anos de prisão.

Ao longo da narrativa, o leitor descobre os planos de Suzane assim que conseguir migrar para o regime aberto: casar com o marceneiro Rogério Olberg, ter filhos e tentar deixar para trás o sobrenome Richthofen, passando a usar Olberg das Dores.

Para ganhar a confiança das detentas, Ullisses Campbell conta que ia até a porta das penitenciárias de van durante as “saidinhas” e oferecia carona a algumas delas, que moravam longe e perdiam muito tempo na viagem para casa. “Eu enchia a van da empresa com as mulheres e fui criando um laço de ‘intimidade’, levava até as casas, mas eu estava trabalhando. O marido de uma delas me ligou, pensando que estava sendo traído. Como meu interesse era jornalístico, depois me afastei de todas elas”, revelou ao R7.

Inspirado no livro “Prisioneiras”, de Drauzio Varella, o jornalista decidiu ao longo da obra contar também, de forma paralela, as histórias das detentas que tiveram contato ou amizade com Suzane. As histórias são tão ou até mais chocantes do que a da biografada. Campbell conta que “dos 26 depoimentos colhidos, 6 são descritos na obra, como a ‘Tia do Fogo’ que matou o marido queimado após ser humilhada e traída por ele”.

O assassinato do casal Richthofen jamais foi esquecido. Hoje, na penitenciária de Tremembé, no interior de São Paulo, Suzane é descrita como uma espécie de “celebridade”. A história do crime, narrada na obra, chamou atenção até mesmo dos demais encarcerados. “Um mesmo preso do complexo masculino comprou 28 livros. Recebo diariamente mensagens de detentos de Tremembé nas redes sociais”, destacou Campbell.

O crime

O livro reconstitui, com todos os detalhes mórbidos, o crime que chocou o país em 30 de outubro de 2002, sob a ótica de Cristian Cravinhos, o único que topou dar ao jornalista a sua versão do assassinato do casal Richthofen na mansão onde moravam, na zona sul de São Paulo. “O maior desafio foi reconstruir a cena, mas contei com a narrativa do Cristian. A ação dos três foi contada a partir do olhar dele. Depois complementei ouvindo peritos e a empregada Rinalva, que limpou o quarto.”

Em 8 entrevistas, o condenado revelou detalhes do sofrimento das vítimas, mortas enquanto dormiam com golpes de porretes em “L” confeccionados por Daniel. No livro, a cena é descrita assim: “Para desenganchar a arma, Cristian afundou rapidamente o bastão no crânio da vítima e puxou fazendo um movimento brusco, espalhando massa encefálica pelo colchão da cama”.

Sob efeito de drogas, os irmãos alegam que só cometeram o crime porque Suzane afirmava ter sido violentada pelo pai desde a infância, uma das mentiras inventadas para convencimento do namorado. Após o crime, os Cravinhos se desesperaram e mostraram arrependimento, tanto que, anos depois, os dois conseguiram cumprir parte da pena no regime aberto. O mesmo não ocorreu com Suzane: “Até hoje ela não provou que está arrependida do que fez, não provou que não vai voltar a matar e não passou no teste psicológico, que aponta mentiras, narcisismo, agressividade camuflada e infantilidade”, revelou o autor.

O motivo até hoje alegado para a morte dos pais foi a resistência do casal Richthofen em aceitar a continuidade do namoro da filha com Daniel, que era pobre e desempregado, e a ameaça de que a jovem seria deserdada se mantivesse o relacionamento.

A ideia para o assassinato teria surgido em conjunto: “Nós só seremos felizes no dia em que seus pais não existirem mais”, teria dito Daniel para Suzane, que afirmou estar “espantada com a transmissão de pensamento”, segundo o livro.

As constantes ameaças sofridas por Suzane, até mesmo de integrantes do PCC (Primeiro Comando da Capital) nas penitenciárias por onde ela passou, são descritas no livro. Mesmo tendo cometido um crime que não é perdoado pelas detentas – ela assassinou os pais –, Suzane se safa das emboscadas. “Para sobreviver, ela usa como arma a sedução e não morreu também porque soube fazer os conchavos com as pessoas certas em todas as penitenciárias onde cumpriu parte da pena”, revelou o jornalista.

Para demonstrar o quanto Suzane é manipuladora, ao longo do livro, vários episódios são citados, como a amizade com Amanda, colega de faculdade usada por ela para acobertar dos pais o romance com Daniel. Campbell afirma que ela “manipula as pessoas emocionalmente, ataca no ponto fraco. Em um momento, ela até fez Daniel achar que estava no controle da situação”.

O jornalista revelou que até mesmo ele quase foi vítima da astúcia de Suzane: “Quando eu ainda estava na Revista Veja, tentei fazer uma sessão de fotos com ela, que pleiteava a mudança para o regime aberto, mas ela disse que só toparia se a reportagem fosse positiva”.

Suzane e o namorado Rogério Olberg, que mora em Angatuba, interior de SP

Suzane e o namorado Rogério Olberg, que mora em Angatuba, interior de SP

Reprodução/Rede Record

Futuro

O introvertido irmão de Suzane, Andreas von Richthofen, que num só dia perdeu a mãe, o pai, o convívio da irmã e o melhor amigo Daniel, também é citado no livro, mas não tem grande destaque porque não foi ouvido pelo autor. As passagens referentes a ele foram construídas com base em depoimentos. “Hoje ele é um bioquímico muito respeitado, com convites para trabalhar no exterior”, informou Campbell.

Suzane namora Rogério Olberg desde 2015 e, nas saidinhas, vai com ele para Angatuba, a 200 km da capital paulista. “A mente de Suzane é um mistério. Acredito que ela usa esse namorado porque não tinha para onde ir. Inicialmente, ela desdenha de Rogério. A família dele está dividida: metade acredita no amor de Suzane, a outra não.”

Daniel Cravinhos hoje está casado e cumpre pena em liberdade. O irmão Cristian está novamente preso por suborno policial e por desrespeitar as regras do semiaberto. Suzane luta ainda pela tão aclamada liberdade.

Autor

Ullisses Campbell tem 44 anos, é jornalista com passagens pela Veja, Época, O Liberal, Correio Braziliense e Super Interessante. Venceu 3 Prêmios Esso de Jornalismo e 1 Embratel.

Fonte: R7

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