Veja como conversar sobre política no trabalho sem sair prejudicado

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Em momentos como o atual, de disputa eleitoral acirrada, o velho ditado que diz que “política e religião não se discute” pode ser a chave para não se queimar no ambiente de trabalho.

“Com a proximidade do segundo turno da eleição presidencial deste ano, as discussões estão cada vez mais acaloradas e, muitas vezes, desrespeitosas”, aponta o consultor de carreira e professor de Liderança e Gestão de Pessoas da Fipecafi Emerson Weslei Dias.

Dias considera inevitável que o debate acabe invadindo salas de reuniões, almoços com chefes e clientes e o dia-a-dia no ambiente de trabalho. Mas como se comportar nessas discussões e evitar que os ânimos se acirrem a ponto de haver agressões verbais e físicas que podem gerar até demissões por justa causa?

Antonio Batist, especialista em carreiras, gestão pública e empresarial, recomenda “mapear” o ambiente de trabalho antes. “Busque saber as regras da empresa e observar o comportamento das pessoas, pois algumas organizações possuem códigos, formais ou informais, sobre política. Se houver então a possibilidade, apresente suas preferências, mas de modo respeitoso”, ressalta.

De acordo com o especialista em carreiras, se a discussão política gerar atrasos nos prazos ou agressões entre colegas, isso já pode ser motivo para a empresa advertir ou suspender os funcionários. A última consequência então é a demissão, que pode ser sem ou com justa causa, dependendo da situação.

Para Dias, todos têm direito de expor suas convicções. No entanto, é preciso ter cuidado redobrado no ambiente corporativo.

“Se você tem um candidato preferido, não há problema em se manifestar neste sentido, mas tenha em mente que os outros também têm esse direito”, afirma Dias.

“Expor preferências é diferente de ser insistente ou agressivo para que os outros concordem”, alerta Batist.

Exponha motivos da escolha

Para Dias, entrar em uma conversa sem disposição para ouvir o ponto de vista do outro pode ser arriscado e fazer com que o profissional fique com fama de inflexível ou de intransigente.

“É saudável mostrar, por exemplo, os motivos que o fizeram escolher X ou Y”, indica.

Cuidado com as fake news

Segundo Dias, estar antenado ao que está acontecendo na política é muito positivo, já que mostra o interesse que se tem na vida em sociedade. Mas, alerta: é preciso cuidado para não disseminar fake news.

“Use sempre fontes confiáveis para coletar informações, como jornais e revistas de reputação e site do TSE”, recomenda.

“Evite fake news. Verifique notícias e informações antes de divulgar. Simples assim”, recomenda Batist.

Inteligência emocional é o segredo

Dias aponta que inteligência emocional é o segredo para não exagerar. Ele explica que um dos aspectos é a consciência emocional, quando a pessoa percebe que o assunto pode despertar emoções mais fortes. Nesse caso, isso vai exigir tolerância ao estresse e o controle de impulsos, segundo o especialista.

“Equilibrar tudo isso dará a capacidade de manter a conversa no nível e tom adequados”, afirma.

Dias aponta ainda que é preciso ter responsabilidade social, “que é saber apaziguar os ânimos e não colocar mais gasolina na fogueira, o que pode prejudicar o clima da organização e da equipe”.

Linguagem corporal importa

Antonio Batist aponta que, tão importante quanto o que é dito, é como é dito.

“O olhar, o tom de voz, as palavras escolhidas, a linguagem corporal como um todo podem soar arrogantes ou ofensivos, independentemente da intenção. Não é o que a pessoa diz, é o cuidado com o que o outro entende”, explica.

Atenção ao assédio moral

Batist alerta que questionar ou discordar não deve gerar assédio moral nem precisa ser um “fla-flu” ou ringue de luta livre.

“Começar uma argumentação por algum ponto em comum com o adversário e depois esclarecer respeitosamente a divergência pode ser um caminho muito mais persuasivo do que apenas mostrar diferenças ou ser agressivo”, argumenta.

O consultor de carreiras ressalta ainda que apontar quem pensa diferente como moralmente ou intelectualmente inferior está longe de ser a melhor estratégia para convencer alguém.

Batist recomenda entender os traumas ou os reais motivos de o colega votar diferente. “Ao entendê-lo com atenção genuína, o outro poderá não concordar com você, mas sentirá humanidade em sua atitude ou você poderá até mudar a opinião dele com a melhora de sua capacidade argumentativa”, diz.

Segundo ele, independentemente de convencer ou não, não faz sentido ganhar uma discussão e perder uma amizade. “Olhe para o longo prazo, pode haver décadas a percorrer. A preservação de amizades e de um emprego pode ter algum sentido. Já a política é muito mais imprevisível e dinâmica do que o seu voto de hoje”, diz.

Atenção às redes sociais

Sobre postagens em redes sociais, Dias ressalta que é preciso ter em mente que elas são uma extensão de quem as pessoas são.

“Logo, debates acalorados que levam para o lado da ofensa, do preconceito ou que evidenciem a falta de informações corretas e verdadeiras só irão prejudicar a imagem do profissional”, afirma.

Fonte: G1

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