Veículos mais econômicos são mais procurados pelos consumidores em Feira; Alta do preço da gasolina é principal causa

231336-3

Com o preço do litro da gasolina custando cerca de R$ 8 em Feira de Santana, muitos condutores estão buscando novas alternativas para tentar economizar.

Uma das opções feitas pelos feirenses, é a mudança do carro para uma motocicleta, podendo fazer até 50 quilômetros com apenas 1 litro de gasolina.

Em entrevista ao Acorda Cidade, o supervisor de vendas da loja Moto Clube Honda do bairro Tomba em Feira de Santana, Rafael da Silva Magalhães, explicou que nesse primeiro trimestre do ano de 2022, as vendas atingiram 32% de crescimento.

Foto: Paulo José/Acorda Cidade

“Nós estamos com um crescimento bem acentuado, até porque na média nacional esse crescimento já está em torno de 27%, e aqui na loja, já atingimos cerca de 32%. Esse resultado a gente já esperava, até porque analisamos este cenário nacional que estamos atravessando e as motocicletas, em comparação aos carros, são veículos mais econômicos. O cliente tem um valor de investimento menor, desde a aquisição, manutenção, veículo de fácil manuseio, facilidade nos engarrafamentos, facilidade para estacionar no centro da cidade, além claro, do consumo do combustível que é mais econômico”, explicou.

De acordo com Rafael, o modelo de motocicleta mais vendido na loja, é a Honda Pop.

“Hoje o carro-chefe é a Pop, uma moto com um investimento mais baixo com relação ao custo-benefício, e é interessante porque é uma motocicleta mais econômica, e na linha das mulheres, elas preferem a Honda Biz, uma moto bonita, que possui um bagageiro e consegue transportar os produtos com facilidade. Hoje por exemplo, temos motos aqui na loja que fazem até 50 quilômetros com apenas 1 litro de gasolina, enquanto que tem carro que faz apenas 8, 10 quilômetros com 1 litro”, destacou.

O representante comercial João Ferreira, informou à reportagem do Acorda Cidade que antes da compra da motocicleta tinha um carro, mas devido o preço da gasolina, foi preciso refazer os cálculos para diminuir os gastos.

Foto: Paulo José/Acorda Cidade

“Eu já tinha um carro, mas infelizmente com o preço da gasolina que vem ficando caro a cada dia, eu optei pela moto, até porque temos toda a praticidade com a moto, desde ir ao comércio e achar estacionamento fácil, até mesmo economizar no combustível. Eu posso dizer que já estou economizando e muito com essa mudança que fiz, em deixar o carro para comprar uma moto”, afirmou.

O comerciante Arthur Ribeiro, também estava fechando negócios para adquirir uma nova motocicleta. Segundo ele, este é o primeiro veículo já pensando na economia com o combustível.

Foto: Paulo José/Acorda Cidade

“Realmente o preço assusta todos os consumidores e hoje aqui estou fechando negócio junto com meu pai para comprar minha primeira moto. Vai ser uma grande economia, até porque o preço da gasolina está fora do normal, custando quase R$ 8 aqui em Feira, então além destes benefícios, ainda existe a possibilidade do fácil estacionamento”, comentou.

O Acorda Cidade buscou mais informações com o economista e diretor proprietário da NBC Language Coaching, Noel Borges de Carvalho. De acordo com ele, a Petrobras passou a adotar novas políticas de preço nas refinarias desde o ano de 2016.

Foto: Arquivo Pessoal

“De fato, o preço médio da venda da gasolina passará de 3,25 para 3,86 por litro, uma alta de cerca de 19% e o preço do diesel, passará de 3,61 para 4,51 o que representa um aumento em cerca de 25%, e torna-se necessário mesmo que a Petrobras promova reajuste nos seus preços de venda nas distribuidoras, para que o mercado brasileiro continue sendo suprido sem riscos de desabastecimento pelos diferentes fatores responsáveis pelo atendimento das diversas regiões brasileiras. Ocorre que, esses valores seguramente, refletem parte da elevação dos patamares internacionais dos preços do petróleo, sobretudo os preços do petróleo Brent, que é a referência internacional. Os preços reajustados pela Petrobras são diretamente impactados pela oferta limitada frente a demanda mundial por energia. Desde 2016, a Petrobras passou a adotar para suas refinarias, uma política de preço que orienta-se pelas pontuações pelo preço do barril do petróleo no mercado nacional e pelo câmbio também. O valor final dos preços dos combustíveis na bomba, depende também dos impostos e das margens de lucro das distribuidoras que os revendedores do Brent já acumulam uma alta de mais de 40% neste ano dentro de 3 meses, e o Brent já chegou até 40% de alta alcançando 139 dólares na segunda-feira passada. Mesmo com o reajuste promovido pela Petrobras, a defasagem na paridade de importação ainda em torno de 20% estava em -31,6% na última segunda-feira, e isso no preço da gasolina nas refinarias da Petrobras no Brasil. Essa defasagem é de 19% e isso estava em -34,1% na segunda-feira passada no que se refere ao Diesel”, explicou.

Segundo o economista, caso a Petrobras ‘congele’ os preços dos combustíveis agora, essa decisão pode tomar uma proporção muito maior e de forma negativa amanhã ou depois.

“Os preços finais dos combustíveis para o consumidor têm aumentado acentuadamente nos últimos meses em função exatamente da necessidade que a Petrobras têm de minimamente adequar a estrutura dos preços para as refinarias. Este é o primeiro elo da cadeia as diretrizes da Petrobras, diretrizes de sustentabilidade e financeira, e ainda que a Petrobras possa mirar ajustes menos agressivos para o consumidor final, segurar os preços como se fez entre 2012 e 2015 aqui no Brasil em que pesa a representar um alívio para o consumidor final, trata-se apenas de medida paliativa e absolutamente artificial. De certa forma, mais adiante como aconteceu em 2015 certamente vai finalizar de forma brutal o consumidor final no processo de realinhamento imperativo, diga-se de passagem desses preços, falando mais claramente, alivia-se a situação do consumidor agora no presente mas a conta mais adiante será cobrada de forma sufocada com juros e correção monetária como se dizia antigamente”, destacou.

Ainda de acordo com o economista Noel Borges, o preço do gás de cozinha não tem relação direta com o preço do Diesel.

“O aumento do preço do gás de cozinha não guarda nenhuma relação direta com o aumento do preço do Diesel, o preço do gás de cozinha é formado por quatro componentes que são o valor do produto nas unidades da Petrobras, os tributos, as margens de ganho das empresas envolvidas na distribuição e também às margens de ganho nas empresas que atuam na revenda das distribuidoras que fazem a ponte entre as refinarias e as unidades de processamento da Petrobras. Na rede varejista que vende o produto ao consumidor final, nos grandes centros urbanos que é ainda a figura do atacadista, é um ator relevante no processo na engrenagem e esse atacadista compra uma quantidade relevante de gás, para entregar aos revendedores das suas respectivas áreas de atuação. Dessa forma, quando a Petrobras reajusta os preços e dá início ao processo, vamos dizer assim, sinalizando os reajustes para as refinarias, essas certamente vão repassar esse reajuste aos demais agentes dessa complexa cadeia que constitui a distribuição dos combustíveis”, concluiu.

Informações: Acorda Cidade

OUTRAS NOTÍCIAS