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Senador que reagiu à homofobia na CPI tem dois filhos e está com marido há 10 anos

Senador que reagiu à homofobia na CPI tem dois filhos e está com marido há 10 anos

O senador Fabiano Contarato (Rede), que chamou atenção ao fazer um discurso na abertura da sessão da CPI da Covid desta quinta-feira (30), tem dois filhos e está com o marido há 10 anos.

Contarato protestou contra uma frase homofóbica postada em rede social pelo depoente, o empresário bolsonarista Otávio Fakhoury.

“Sua família não é melhor que a minha”, disse o senador do Espírito Santo em uma das partes mais marcantes do discurso. Contarato é homossexual e falou do marido e dois filhos com orgulho durante o discurso e em suas redes sociais.

“Mas a minha família não é pior do que a sua porque a mesma certidão de casamento que o senhor tem eu também tenho; que fala na Pátria, que fala na legalidade, que fala na moralidade, mas o senhor é o principal violador dessa legalidade e moralidade; que fala em Deus acima de todos. Deus está no meio de nós”, afirmou o senador.

A fala do senador gerou falas de apoio nas redes sociais e fotos dele com o marido e os filhos se espalharam na internet.

“Muito emocionado, agradeço imensamente por todas as mensagens e todos os gestos de carinho, apoio e solidariedade após meu desabafo contra a homofobia que sofri. Orientação sexual não define caráter. Todos somos iguais perante a lei”, disse Contarato em uma rede social.

O filho do senador foi adotado em 2017 e a filha em 2020.

O senador nasceu em Nova Venécia, no interior capixaba, e vive com a família em Vila Velha, na Grande Vitória. Antes de ser eleito senador em 2018, Contarato era professor, palestrante, ativista humanitário e delegado da Polícia Civil do Espírito Santo desde 1992.

Ele foi delegado da Delitos de Trânsito por mais de 10 anos. Também assumiu a direção geral do Departamento Estadual de Trânsito (Detran) e atuou como de corregedor-geral na Secretaria de Estado de Controle e Transparência (Secont).

Durante fase em que esteve na Delegacia de Delitos de Trânsito, Contarato conduziu casos emblemáticos do estado, como o da jovem que viralizou após tenta fumar dinheiro e ligar carro com canudo e o acidente que matou três pessoas de uma mesma família em 2008 e gerou a condenado do empresário Wagner Dondoni.

“Fui delegado de delitos de trânsito por mais de dez anos no Espírito Santo, e senti de perto a dor as famílias que perdem seus entes queridos em acidentes de trânsito e são, na prática, as únicas que pagam o preço da impunidade do motorista infrator. No Senado, já consegui avanços legislativos para que o condutor embriagado que mata fique, de fato, na cadeia”, disse o senador ao g1.

Contarato explicou que levou a experiência ao Legislativo para elaboração de projetos sobre trânsito.

“Trabalhamos em dezenas de projetos e relatorias no tema. Como diretor-geral do Detran do Espírito Santo, cargo que exerci antes de chegar ao Senado, segui minha luta por um trânsito mais seguro, que garanta tranquilidade e cidadania para pedestres, ciclistas e motoristas. A Lei Seca foi uma aliada primordial de nossa pauta em defesa de estradas e vias com menos acidentes. O Brasil tem a triste estatística de mais de 40 mil mortes por ano no sistema viário, e essa tragédia também se reflete nos custos do Sistema Único de Saúde, pago por todos nós. A preocupação com a qualidade do serviço público e com a transparência de gastos na gestão foi minha prioridade quando corregedor-geral do Governo do Espírito Santo. Zelar pela ética funcional, pela probidade e pela correta aplicação do dinheiro público são deveres diários, princípios constitucionais”, disse.

O senador eleito é graduado em Direito pela Universidade Vila Velha (UVV), pós-graduado em Direito Penal e Processual Penal pela Universidade Gama Filho (UGF) e especialista em Impactos da Violência na Escola pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz).

Senador com o marido e os dois filhos — Foto: Divulgação

Senador com o marido e os dois filhos — Foto: Divulgação

Fala na CPI

A mensagem de Fakhoury à qual Contarato se referiu na sessão apontava um erro de ortografia cometido pelo senador, também em uma rede social. Na ocasião, o parlamentar havia comentado o depoimento à CPI, em maio, do ex-secretário de Comunicação da Presidência Fabio Wajngarten. Contarato escreveu que Wajngarten deveria ser preso e que, no depoimento, havia se configurado “estado fragancial (sic)”.

“O delegado [Contarato], homossexual assumido, talvez estivesse pensando no perfume de alguma pessoa ali daquele plenário… Quem seria o ‘perfumado’ que lhe cativou?”, escreveu o empresário bolsonarista.

Contarato disse para Fakhoury (veja no vídeo acima):

“O senhor não é um adolescente. O senhor é casado, tem filhos. A sua família não é melhor que a minha”, afirmou o senador.

Contarato também pediu que a Polícia Legislativa investigue Fakhoury por homofobia. O vice-presidente da CPI, senador Randolfe Rodrigues (Rede), pediu que o Ministério Público Federal (MPF) seja informado sobre “ocorrência de eventual crime de homofobia por parte do depoente”.

Contarato discursou da cadeira da presidência da CPI, cedida pelo presidente, Omar Aziz (PSD) para dar destaque à fala. Com a voz embargada, dirigindo-se a Fakhoury, afirmou:

“Eu aprendi que a orientação sexual não define caráter, a cor da pele não define o caráter, poder aquisitivo não define caráter”, disse. “Eu sonho com o dia em que eu não vou ser julgado por minha orientação sexual. Sonho com o dia em que meus filhos não serão julgados por ser negros. Eu sonho com um dia em que minha irmã não vai ser julgada por ser mulher e que o meu pai não será julgado por ser idoso”, declarou o senador.

Pedido de desculpas

Quando Contarato terminou o pronunciamento, Fakhoury se dirigiu ao senador e pediu desculpas, afirmando que o comentário foi “infeliz”, “em tom de brincadeira” e “brincadeira de mau-gosto”.

‘Foi um comentário de tom de brincadeira. Não teve a intenção de lhe ofender’, diz Fakhoury ao pedir desculpas ao senador Contarato.

“Eu respeito sua família como respeito a minha, tenho amigos de todos os lados, de preferências, orientações. Portanto, declaro que meu comentário não teve a intenção de lhe ofender. Sei que lhe ofendi profundamente e peço desculpas. Não sou uma pessoa que descrimina raça, cor ou orientação sexual”, afirmou.

Em seguida, se desculpou com “todos que se sentiram ofendidos”.

“Se o comentário, que foi um comentário que entendo que possa lhe ter ofendido, me retrato aqui diante de todos. E a todos que se sentiram ofendidos com este comentário”, declarou.

Informações: G1

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