Qualificação continuada é o que manterá empregos no futuro

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Seja por meio de totens de autoatendimento, seja por máquinas e/ou aplicativos de alta performance, a realidade é que a tecnologia já ocupa os lugares de muitos profissionais em várias atividades econômicas. E, em 10 anos, a previsão é de que ela afete mais de um bilhão de empregos no mundo, apontam estudos do Fórum Econômico Mundial. Dessa forma, quem quiser garantir vaga no mercado de trabalho terá que aprender a lidar e a destacar-se nesse cenário.

Segundo o Mapa do Trabalho Industrial 2022-2025, apresentado pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), só no Brasil, 9,6 milhões de pessoas precisarão de qualificação em quatro anos se quiserem manter ou conseguir cargos de base industrial. Desse total, 7,6 milhões já estão empregados e precisarão de formação continuada para se adequar às novas ferramentas, funções e competências do mercado.

“No que diz respeito às principais demandas dentro de ocupações industriais, destacam-se as chamadas funções transversais, com atuações técnicas essenciais, absorvidas por diversos setores da economia, desde automotivos até alimentos. Já em relação às novas áreas, as que mais empregarão são as relacionadas à indústria 4.0, à automação de processos industriais, por exemplo.”

Márcio Guerra, gerente-executivo do Observatório Nacional da Indústria

Segundo o Mapa do Trabalho, só dentro das chamadas ocupações transversais, 1,393 milhão de profissionais precisarão se requalificar. Em seguida, vêm as áreas de Metalmecânica e Logística e Transporte, com demanda de formação continuada para mais de um milhão de trabalhadores cada uma; e Construção, que precisará atualizar 780 mil pessoas já formadas na área. Os ramos ligados a Alimentos/Bebidas e Têxtil/Vestuário terão o desafio de reciclar, cada, mais de 500 mil trabalhadores. Tecnologia da Informação, quase 400 mil; e Eletroeletrônica, Gestão e Automotivo, 200 mil cada.

Guerra explica ainda que a projeção apresentada pelo Mapa do Trabalho Industrial 2022-2025 considera o contexto econômico, político e tecnológico de todos os setores e deve seguir como guia para toda pessoa que deseja crescer profissionalmente. “É muito importante ela conhecer quais são as tendências, quais são as áreas que terão maior crescimento, sobretudo na localidade onde mora, entender que profissões tem mais relevância e demanda, para que possam planejar a trajetória profissional”, completa.

“Estamos diante de um cenário de baixo crescimento do Produto Interno Bruto (PIB), reformas estruturais paradas, eleições e altos índices de desemprego e informalidade. Neste contexto, é preciso incentivar as pessoas a buscarem qualificação onde haverá emprego. E essa qualificação deve ser recorrente. Quem parar de estudar, vai ficar para trás.”

Rafael Lucchesi, diretor-geral do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai)

Outro ponto que deve ser levado em conta pelo profissional que quer se destacar no mercado é o desenvolvimento de inteligência emocional. Essa foi a principal competência comportamental buscada por recrutadores do Brasil, conforme o levantamento Habilidades 360°, feito em setembro de 2020 pela consultoria PageGroup.

Entre as outras aptidões (Soft Skills) procuradas pelos empregadores estavam trabalho em equipe e comunicação assertiva, com 38,4% e 31,1%, respectivamente. O estudo ouviu também executivos da Argentina, Chile, Peru, Colômbia e México. No conjunto de países, o trabalho em equipe foi o mais valorizado, com 47,5% dos votos.

Onde o trabalhador pode se qualificar?

Atentas a essa demanda, instituições como o Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai), o Serviço Social da Indústria (Sesi) e o Instituto Euvaldo Lodi (IEL) já oferecem cursos ao empregado que deseja se qualificar.

Para democratizar a oferta de educação profissional, que vai da qualificação, passando pelo técnico e tecnólogo até as pós-graduações, uma das estratégias do Senai é tornar o ensino mais acessível e personalizado. Uma das iniciativas é o Senai+Digital, escola on-line com mais de 30 cursos acessíveis nas áreas de tecnologia e em outras de interesse do setor industrial. Entre eles, os de Planejamento e Controle da Manutenção (Metalmecânica – Mecânica), Metodologias Ágeis e Gestão de Projetos de Automação e TI (Software) e Curso Prático em Programação Móvel para Internet das Coisas (Indústria 4.0).

Os cursos são oferecidos de acordo com o tempo e necessidade do aluno. É ele, por exemplo, quem escolhe a duração (curto, médio ou longo) e o formato (remoto ou presencial) do conteúdo que receberá. Todas as informações estão no site Mundo Senai.

Além de disso, por meio do Senai Play, os interessados podem ter acesso a cursos de mais de 30 áreas de atuação, de até 60 horas cada, em plataformas como YouTube, Spotify e WhatsApp, todos com certificado.

Há, ainda, a Trilha de Desenvolvimento de Soft Skills, com 17 cursos on-line, lançada em 2021 pelo IEL. Nele, estão disponíveis videoaulas, apostilas, infografias e imagens relacionadas a temas como pensamento crítico, resolução de problemas complexos, liderança, empreendedorismo, criatividade e aprendizagem ativa.

Para quem busca outros meios de formação, existem os programas Reskilling Revolution (Revolução de requalificação) e Closing the Skills Gap Accelerator (Acelerador de Competências), do Fórum Econômico Mundial, com foco na qualificação tecnológica. Mais sobre as iniciativas no site do Fórum Econômico Mundial. A meta da organização é formar mais de um bilhão de pessoas em todo o mundo até 2030, sendo 8 milhões só no Brasil.

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