Morto pela polícia, suspeito de ordenar ataques é acusado de 40 assassinatos

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Um dos criminosos mais procurados do estado, Denivaldo Rocha Santos, conhecido como Mancha, morto nesta quinta-feira (27) em confronto com a polícia, foi responsável por organizar ataques em Tancredo Neves, Arenoso e Pernambués. De acordo com a Polícia Civil, cerca de 40 homicídios foram cometidos ou comandados por ele. Um dos casos, em uma festa paredão na Rua 24 de Março, resultou em dez pessoas baleadas, incluindo três crianças. A polícia afirma também que houve envolvimento de Mancha no assassinato da advogada Saadya Gomes, em fevereiro, quando ela voltava do Carnaval.

Após a morte de Mancha, o delegado Odair Carneiro, do Departamento de Repressão e Combate ao Crime Organizado (Draco), realizou uma entrevista coletiva, para detalhar a ação. Ele contou que o apartamento no qual o homem estava se escondendo, distante da área em que geralmente costumava agir, pertencia a familiares. Odair disse ainda que Mancha chegou a fazer a esposa de refém. A equipe do Draco e do Centro de Operações Especiais (COE) tentou estabelecer uma negociação e, quando a tática se mostrou ineficaz, começou o confronto. Ele foi baleado e não resistiu.

Mancha atuou no crime por dez anos, mas só começou a ter visibilidade em 2020. Ficou conhecido como um traficante “vira-folha” por ter trocado de facção e acirrado ainda mais a guerra entre os dois grupos: antes, ele era matador do Bonde do Maluco (BDM). Depois, tornou-se gerente do Comando Vermelho (CV). As duas facções disputam o domínio de bairros como Tancredo Neves, Arenoso e Narandiba. 

Um dos principais rivais de Mancha era o criminoso Jeobson Rocha Cruz, conhecido como Panela, morto por ele. O delegado conta que Panela tinha como uma de suas marcas a decapitação de suas vítimas, e que foi isso que Mancha fez ao capturá-lo. “[Ele] cortou a cabeça de Panela e do indivíduo que estava junto com eles, fez a filmagem e enviou para os grupos do bairro”, afirmou o delegado.

Entre os casos mais recentes foi a morte da suposta amante de Mancha, uma manicure do bairro de Arenoso que também era envolvida com o tráfico de drogas. De acordo com o delegado, esse envolvimento foi a maior motivação para o assassinato. O corpo da manicure ainda não foi encontrado. O crime está sendo investigado pelo Departamento de Homícidios e Proteção à Pessoa (DHPP), e depoimentos estão sendo colhidos para auxiliar no processo.  

A Polícia Civil afirmou que, entre 2020 e 2023, o criminoso foi duas vezes à Inglaterra a passeio.

Tensão
Segundo o delegado Odair Carneiro, a possibilidade de ataques serem promovidos em Tancredo Neves pela facção rival à de Mancha após a morte do traficante é real. “Existe essa possibilidade, mas a Segurança Pública está aqui, bem como a Polícia Civil, a Polícia Militar, o Departamento de Polícia Técnica. E a gente não vai permitir isso na região”, assegurou Carneiro. 

O comandante do Policiamento Regional da Capital Central (CPRC), coronel Magalhães, também participou da coletiva e disse que o policiamento no bairro de Tancredo Neves está intensificado há três semanas, e as operações continuarão ocorrendo. Ainda assim, o coronel afirmou que, com um episódio como o dessa quinta, a Polícia Militar estará mais atenta às áreas onde atuam esses criminosos e seus opositores, para evitar represálias aos moradores.  

Durante a ação que acabou na morte de Mancha, a polícia apreendeu uma pistola israelense calibre 9 mm, com carregador estendido.

Operação em Tancredo Neves
Há mais de 15 dias, moradores do bairro de Tancredo Neves vivem momentos de terror, com tiroteios, pessoas feitas de reféns e transporte e aulas suspensos. Desde então, a Polícia Militar reforçou o policiamento na área, e o objetivo é que continue assim: de acordo com o coronel Magalhães, a meta é fazer com que os habitantes voltem a se sentir seguros, por isso, a operação continuará em vigor. 

A operação de três semanas em Tancredo Neves tem, até agora, um balanço de 26 armas de fogo apreendidas, dentre as quais três automáticas (de alto calibre); 44 pessoas presas; outras dez foram mortas em combate enquanto resistiam à prisão, segundo a Polícia Militar; e dez veículos roubados foram recuperados. Além disso, houve diversos desmanches de barreiras que tentavam evitar a entrada da polícia. 

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