Mais da metade das pessoas acidentadas por moto que dão entrada no HGCA em Feira de Santana estão sob o efeito de bebidas alcoólicas, diz cirurgião 

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As motocicletas são os veículos que mais estão entre as causas de acidentes no trânsito. Somente em Feira de Santana, no ano de 2023, o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) registrou 1.743 chamadas envolvendo ocorrências com moto. Comparado ao ano anterior, houve um aumento de 30, 27%, com 1.338 atendimentos. Os acidentes envolvendo motos e que os pacientes dão entrada no Hospital Geral Clériston Andrade (HGCA), em sua maioria são ocasionados pelo uso de bebidas alcoólicas e a falta do capacete, conforme destacou ao Acorda Cidade, o o cirurgião bucomaxilofacial Thiago Leite.

São acidentes envolvendo batidas entre carros, ônibus, bicicletas, caminhões ou atropelamentos que têm também a moto na participação dos registros.

De acordo com Thiago Leite, que já realizou mais de  2 mil cirurgias de reconstrução de face por traumas originados por acidentes de moto, esses procedimentos costumam ser os que apresentam maior nível de gravidade, uma vez que, geralmente, o motociclista está em uso de bebida alcoólica e sem o uso do capacete, o que aumenta em 100% a gravidade das lesões.

Ao Acorda Cidade, o cirurgião trouxe mais esclarecimentos sobre esses dados e a complexidade das lesões faciais causadas por acidentes de moto. Somente em 2023, foram 480 cirurgias de reconstrução facial no Hospital Geral Clériston Andrade (HGCA).

“Devido à alta energia cinética que os pacientes com motocicleta se envolvem, os traumas com uso de motocicleta sempre têm maior gravidade do que queda, acidente automobilístico. Isso se dá pela exposição do paciente, que muitas vezes não utiliza capacete e isso acaba acarretando fraturas sérias de face e também não só fraturas, como lacerações importantes em tecido mole da face, ferimentos extensos”, disse.

Segundo o médico que atende no Hospital Geral Clériston Andrade (HGCA) e em outras unidades de saúde da cidade, uma pesquisa foi realizada durante um ano com os pacientes que deram entrada no serviço de cirurgia bucomaxilofacial, e foi constatado que 85% dos pacientes são do sexo masculino e com menos de 31 anos. Além disso, o fator da bebida alcoólica é predominante.

“72% de todos os pacientes que se envolveram com queda de motocicleta estavam em uso de bebida alcoólica durante o acidente. Então, esta é a maior preocupação, sendo o uso de bebidas alcoólicas e direção”.

O profissional explicou que em acidentes com moto é comum o paciente ter fraturas panfaciais, que é quando ele tem todos os ossos da face atingidos. As lesões faciais mais recorrentes são fraturas de mandíbula, nariz, maxilar e fratura de zigomático.

Thiago Leite fez um alerta importante, principalmente para algumas cidades do interior, onde a utilização de capacete não é tão cobrada e fiscalizada pelas autoridades. Além disso, ele reforçou para que as pessoas utilizem o equipamento correto e completo, com a mentoneira que vai proteger o rosto em casos de choque.

“Os pacientes que se envolveram em acidente de motocicleta e que deram entrada no HGCA, a maioria deles estava em uso de capacete aberto e isso não levou a nenhuma proteção do esqueleto facial nem de ferimentos extensos em face”, pontuou.

Pacientes que sofrem fraturas na face, de acordo com ele, tendem a sentir muita dor por ser uma região vascularizada e de enervação sensitiva. As dores só cessam por completo após a recuperação total.

“Muitas vezes o paciente precisa passar não só por uma cirurgia, mas realiza uma cirurgia naquele momento inicial da urgência e na maioria das vezes, é necessário fazer uma segunda ou terceira intervenção cirúrgica”, explicou.

Além dos traumas físicos e psicol[ogicos, o especialista avaliou os danos para o sistema de saúde e previdência social. É necessário um período extenso no hospital, em Unidade de Terapia Intensiva (UTI).

“Além do momento do trauma, esse público precisa ficar afastado de suas atividades laborativas. A maioria são pacientes abaixo de 31 anos, isso ainda complica mais a questão social, porque esses pacientes saem do mercado de trabalho e acabam também por sobrecarregar o sistema previdenciário”, ressaltou.

HGCA

Especialista em cirurgias bucomaxilofacial, Thiago Leite destacou o HGCA como uma referência nacional em reconstruções faciais, ocupando o terceiro lugar no ranking entre os hospitais que mais realizam o procedimento. Somente ele chega a realizar 15 cirurgias deste tipo por mês.

“No Clériston Andrade todos os dias tem equipe de cirurgião bucomaxilofacial durante o turno da manhã e durante o turno da noite, em regime de 24h. Nós realizamos cirurgias de bucomaxilo todos os dias da semana, de domingo a domingo. Então é um quantitativo muito alto”, declarou.

Segundo ele, a reabilitação dos pacientes é possível na maioria dos casos, mas isso requer tempo, paciência e muita força de vontade. Por aproximadamente 60 dias é impossível comer alimentos sólidos. O acompanhamento com outros profissionais também pode ser necessário, a depender da gravidade de outras lesões.

“É preciso um acompanhamento também com o dentista clínico. Às vezes o paciente também fica internado durante um bom tempo, porque não é só o trauma de face, às vezes também o paciente apresenta traumatismo crânio-encefálico, e se faz necessário um acompanhamento também com o serviço de neurocirurgia. Os pacientes se recuperam, mas às vezes demoram um pouquinho devido à gravidade”, alertou.

Para evitar acidentes com motos, as recomendações são claras. Não beber e dirigir, se atentar ao trânsito, porque um motorista não ter bebido, mas outro condutor sim. Além disso, utilizar o capacete fechado, com a proteção do queixo para a proteção do esqueleto facial, evitar ultrapassagens perigosas, principalmente à noite e em estradas e ter atenção aos cruzamentos.

Capacete salva-vidas

Dados divulgados ano passado pelo Centro de Informações sobre Saúde e Álcool (Cisa) revelam que 10.887 pessoas perderam a vida em acidentes que envolviam álcool e direção em 2021. Essa combinação fatal, por muitas vezes, só não se torna pior pelo uso do capacete, crucial para decidir as lesões que o condutor pode sofrer.

O instrutor de trânsito, Anderson Trindade, deu dicas para o uso correto do equipamento e reforçou a maior proteção do capacete fechado.

“O capacete fechado vai dar a maior segurança, porque ele vai compreender toda essa parte frontal da sua face. Caso aconteça algum sinistro que hoje em dia se chama mais de acidente sinistro, a pessoa vai estar com a face protegida, não vai estar batendo o queixo e evitando arranhões no rosto”.

A forma correta de usar o capacete é sempre fechando a jugular, aquela veia principal que drena o sangue dos segmentos cabeça e pescoço. Outra dica é manter o equipamento fechado, com a viseira. Caso o capacete seja aberto é preciso ter, no mínimo, um óculos de proteção.

Escolher o tamanho ideal para a cabeça também é importante, porque vai auxiliar na possibilidade de choque. Caso ele esteja folgado, pode soltar antes da colisão, do contrário, estando apertado, pode estar posicionado de modo errado.

Segundo Anderson, os capacetes não possuem prazo de validade, mas existe a durabilidade do produto que vai de acordo com a indicação do fabricante. Então, como perceber que deve-se trocar de capacete?

“Ele vai dizer se tem durabilidade de 3 anos, de 5 anos, porque está relacionado com o material que compõe o capacete. A esponja, o isopor. Passou esse tempo, é aconselhável que tenha outro capacete, compre um novo. Porque se o fabricante diz que a durabilidade dele é 3 anos, então, o aconselhável para ele estar protegendo 100%, vai ser na utilização deste período”, indicou.

Em casos de quedas e colisões com o equipamento é importante substituir, porque a segurança do produto foi afetada.

“Quando ele cai, vai afetar a segurança, pois ele não vai estar absorvendo 100% do impacto. Houve uma queda, o correto é trocar o capacete. Como também o capacete não pode estar muito velho, tem essa questão do uso. É observado se ele tem um selo do Inmetro”.

Além disso, o instrutor pontuou que muitas infrações de trânsito relacionadas ao capacete se referem à falta do selo do Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia (Inmetro). Aquela fita luminária popularmente conhecida como ‘olho de gato’.

“Porém, não há infração de trânsito relacionada ao tempo, à validade do capacete. Por exemplo, o capacete tem mais de 5 anos, então não tem esse tipo de infração específica, mas tem a recomendação do fabricante”, pontuou.

Evandilson Lima Costa gerencia uma loja que vende diversos tipos de capacetes, seja para motociclistas ou ciclistas. É importante destacar que o equipamento é imprescindível aos dois usuários.

Ao Acorda Cidade, ele falou sobre a preferência dos condutores pelo capacete aberto e fechado e o quanto o lugar onde eles percorrem com a motocicleta interfere nessa escolha.

“Geralmente, o capacete aberto, o pessoal usa mais no centro da cidade e o fechado quando vai pegar as BRs. Hoje o pessoal quer mais segurança, geralmente o capacete fechado é um dos mais vendidos”, disse Evandilson.

Conforme o gerente, um capacete chega a custar de R$ 130 a R$ 500. Ele também reforçou a necessidade da troca do equipamento a cada três anos.

“O Contran (Conselho Nacional de Trânsito) solicita que você faça a troca dele a cada 3 anos. Porque o capacete vai se deteriorando com o tempo e às vezes, também o capacete tomar pancada”, explicou.

Informações extraídas do site Acorda Cidade

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