Líder quilombola de Pitanga dos Palmares é morta a tiros

A líder do Quilombo Pitanga dos Palmares, Yalorixá e ex-secretária de Promoção da Igualdade Racial de Simões Filho, Maria Bernadete Pacífico, de 72 anos, foi assassinada na noite desta quinta-feira (17), no Quilombo Caipora, comunidade, em que a líder do Quilombo residia, no município de Simões Filho, região metropolitana de Salvador. Criminosos teriam invadido o terreiro, feito familiares reféns e executado Mãe Bernadete a tiros.

Numa lacuna de quase seis anos, mãe e filho tiveram o mesmo destino, supostamente pelos mesmos executores. Flávio Gabriel Pacífico dos Santos, conhecido como Binho do Quilombo, também foi morto da mesma forma trágica, no dia 19 de setembro de 2017, próximo a comunidade e o crime até hoje permanece sem solução. A mãe, nunca se conformou e agora acabou silenciada, conforme denuncia a família e os moradores do local, que afirmam também viverem sob ameaças de grupos ligados à especulação imobiliária, interessados em ocupar os territórios.

O Quilombo Pitanga dos Palmares, liderado por Bernadete, é formado por cerca de 289 famílias e tem 854,2 hectares, reconhecidos em 2017 pelo Relatório Técnico de Identificação e Delimitação – RTID do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra). A comunidade já foi certificada pela Fundação Palmares, mas o processo de titulação do quilombo ainda não foi concluído.

E, levantamento da Rede de Observatórios de Segurança, realizado com apoio das secretarias de segurança pública estaduais e divulgado em junho deste ano, já apontava a Bahia como o segundo estado do Brasil com mais ocorrências de violência contra povos e comunidades tradicionais. Atrás apenas do Pará, a Bahia registrou 428 vítimas de violência no intervalo de 2017 a 2022.

O governador Jerônimo Rodrigues, por sua vez, se comprometeu na apuração da execução, assegurando que não permitirá que defensores de direitos humanos sejam vítimas de violência na Bahia.

“Deixo aqui meu compromisso na apuração das circunstâncias e um abraço, tanto de minha parte, quanto de Tatiana Veloso [primeira-dama], à família e à comunidade. Não permitiremos que defensores de direitos humanos sejam vítimas de violência em nosso estado”, frisou.

A Secretaria da Segurança Pública, através de nota, também repudiou o homicídio da liderança quilombola, bem como se solidarizou à família e informou que as polícias Militar, Civil e Técnica, após tomarem conhecimento do fato, iniciarão de imediato as diligências e a perícia no local para identificar os autores do crime. “Informações preliminares indicam que dois homens, usando capacetes, entraram no imóvel da vítima, na cidade de Simões Filho, e efetuaram disparos com arma de fogo. Detalhes sobre a dupla de homicidas podem ser enviados, com total sigilo, através do telefone 181 (Disque Denúncia da SSP)”.

Ainda, a 22ª Delegacia Territorial de Simões Filho, investiga a morte da líder quilombola, vítima de disparos de arma de fogo na noite de quinta-feira (17), no Quilombo Caipora. A autoria e motivação são apuradas. Guias periciais foram expedidas.

A capital da Bahia foi identificada pelo Censo Quilombola do IBGE como a capital com a maior população quilombola do país. São quase 16 mil quilombolas e cinco quilombos oficialmente registrados.

Um ato contra o genocídio do povo negro está programado para às 9h, na Praça da Piedade, nesta sexta-feira (18). 

Folha do Estado

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