Irmãs atletas buscam apoio financeiro para representar Feira de Santana em competições de natação

A Lei nº 11.438 é a lei Federal de Incentivo ao Esporte, promulgada em 29 de dezembro de 2006, e que tem como objetivo estimular, fomentar, e profissionalizar a prática esportiva.

No entanto, muitos atletas amadores que ainda estão iniciando as carreiras, enfrentam grandes barreiras para continuar no esporte, diante da falta de incentivo, principalmente financeiro.

É o caso das irmãs feirenses, Laís Santos Cerqueira e Larissa Santos Cerqueira, nadadoras que irão representar o município de Feira de Santana nos próximos dias.

Ao acorda Cidade, a irmã mais nova, Laís de apenas 13 anos, contou como teve contato com o esporte.

Atletas
Foto: Arquivo Pessoal

“Quando eu tinha 6 anos de idade, minha mãe me colocou na aula de natação, mas depois eu parei por conta da pandemia e quando foi no ano passado, eu voltei a nadar. Eu participei de um concurso no ano passado, mas infelizmente eu não fiquei bem colocada, mas estou em busca do meu sonho de um dia ser campeã brasileira de natação”, afirmou.

Na mesma linha de atuação, Larissa Santos Cerqueira, 18 anos, também acompanha a irmã mais nova no esporte.

Segundo ela, a inspiração para a prática esportiva, foi da mãe.

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Foto: Arquivo Pessoal

“A nossa mãe nos trouxe para nadar, logo no começo ela não deu muita escolha, mas com o tempo a gente foi tomando gosto, e estamos nesta vida de nadar todos os dias”, disse.

Embora os treinamentos sejam realizados em Feira de Santana, as competições acontecem fora da cidade, e para isso, é necessário ter o deslocamento e em certos casos, até hospedagem.

“Todas as competições praticamente, são realizadas em Salvador. Então temos custo para viajar, custo com as inscrições, as competições são de dois, três dias, então tem o custo também com hospedagem, suplementos para a alimentação, então realmente é um custo alto que nós temos. Além de tudo isso, ainda tem os equipamentos, o maiô que desgasta com facilidade por conta do cloro da piscina, óculos, touca, tudo isso é necessário. Laís por exemplo, vai participar agora da Travessia Salvador Mar Grande, são 12km, ela gosta dessa parte de mar aberto”, informou.

Em Feira de Santana, existe o Programa Nacional de Fomento e Incentivo à Cultura, conhecido como Procultura, o estado possui o Programa FazAtleta e o Governo Federal possui o Bolsa Atleta, mas segundo Larissa, nem ela, nem a irmã, são beneficiadas com estes projetos.

Incentivadora e também atleta, a mãe das jovens, Lady Patrícia, informou que as filhas possuem uma rotina intensa de treinos.

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Foto: Arquivo Pessoal

“A maratona preenche, ocupa a vida das meninas, porque elas têm uma rotina bem intensa de estudos e de práticas esportivas. Elas precisam de um volume de treino elevado, então elas treinam pela manhã em alguns dias, seguem para a escola e quando é no final da tarde, treinam novamente. É uma rotina de segunda a sábado praticamente, então elas são disciplinadas e ocupam bastante o tempo. Esse exemplo realmente começou comigo, eu também faço natação, disputo maratonas e elas logo no início começaram, depois pararam por conta da pandemia, mas depois eu meio que as obriguei a voltarem para o esporte, para saírem daquela rotina de dentro de casa, ficarem presas, e voltarem a ter a interação com os amigos”, disse à reportagem do Acorda Cidade.

Patrícia também reforçou a importância que tem um patrocínio na vida de um atleta.

“Existe custo de mensalidade para praticar o esporte, musculação, suplementos, todas as inscrições das competições são pagas, esses torneios acontecem fora da cidade, então existem os treinos aqui em piscinas, mas é apenas simulando o máximo de resistência, como se estivesse no mar. Mas as competições acontecem em mar aberto ou rio, temos o custo de deslocamento, de hospedagem, alimentação, então são custos que se a gente for colocar na ponta do lápis, pode custar cerca de R$ 10.000 por cada atleta”, confirmou.

Segundo a mãe das atletas, como forma de amenizar estas barreiras, as empresas poderiam abraçar os atletas através do Programa FazAtleta.

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Foto: Arquivo Pessoal

“Existem alguns programas, como é o caso do FazAtleta, um programa de incentivo com redução fiscal, mas a gente está com essas dificuldades porque a gente precisa que alguma empresa possa abraçar as atletas, estamos pedindo patrocínio para que alguma empresa possa adotar essas meninas, e com isso, tenha também a redução fiscal. As pessoas que queiram entrar em contato comigo também, podem me ligar pelo (75) 98801-3898, até porque neste final de semana as meninas irão competir, no próximo final de semana também terá outra competição, que é no dia 13, mais uma etapa de maratona aquática de Salvador, então geralmente são três competições que elas participam e que possuem um custo muito elevado”, concluiu.

Ao Acorda Cidade, o treinador das duas adolescentes, Joélio de Santana Barroso, comentou da rotina das atletas. Segundo ele, o primeiro treino tem início às 5h da manhã.

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Foto: Paulo José/Acorda Cidade

“É um dia bastante puxado, mas que é normal para qualquer atleta, qualquer pessoa que queira se dedicar para esta profissão. Elas têm treinos seis vezes por semana durante a tarde, e dois dias pela manhã. Laís continua com a gente aqui em Feira de Santana e ela treina 5h e sai daqui por volta de 6h30, direto para o colégio. Assiste aula pela manhã, e durante a tarde, ela retorna a partir das 17h e fica até 19h30, 20h”, explicou.

Para o professor, a falta de incentivo financeiro também é motivada pela falta de conhecimento por parte das empresas.

“O problema que nós temos hoje em dia, é a falta do conhecimento das empresas. Nós temos bons projetos como o FazAtleta, em que ele dá a possibilidade da empresa reduzir impostos, porque imagine, 20% de R$ 40.000, seria R$ 8.000 para distribuir durante todo o ano, para ter um marketing da empresa com jovens praticando o esporte, e de certa forma é um recurso ainda pouco. Então eu entendo que ainda falta um pouco de conhecimento por parte das empresas para abraçar os atletas que temos aqui em Feira de Santana e assim, o esporte crescer de maneira geral”, informou.

Com informações do repórter Paulo José do Acorda Cidade

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