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Esporte é âncora consolidada no movimento antirracista

Esporte é âncora consolidada no movimento antirracista

O esporte é – e sempre foi – um grande agente educador para a sociedade, além de um espaço para manifestações políticas. Atletas como Jesse Owens, Muhammad AliSócrates, Nadia Comaneci e tantos outros não deixam mentir. Presente nas mais diversas causas sociais, na luta contra o racismo não poderia ser diferente.

Após o assassinato de George Floyd, homem negro asfixiado até a morte durante abordagem de um policial branco em Minneapolis, nos Estados Unidos, protestos do movimento Black Lives Matter (Vidas Negras Importam, em tradução livre) tomaram proporção mundial em julho de 2020. Na liga de basquete americana, NBA, o jogador LeBron James deu voz e visibilidade à causa ao entrar em quadra com uma camisa preta, cuja frase estampada dizia “I can’t breathe” (eu não consigo respirar), palavras repetidas por Floyd enquanto era sufocado.

LeBron e outros atletas chegaram a paralisar a liga em respeito às vítimas de violência racial nos EUA, logo após mais um caso de violência policial, dessa vez contra Jacob Blake, que recebeu sete tiros nas costas enquanto estava desarmado. Jogadores de seis times da NBA se recusaram a entrar em quadra durante partidas dos playoffs, que precisaram ser remarcadas.

                                                                         David Dow/NBAE via Getty Images

No mesmo ano, em dezembro, jogadores do Paris Saint-German e do Istanbul Basaksehir deixaram o campo no meio do duelo após o camaronês Pierre Webó, membro da comissão técnica do time turco, acusar o quarto árbitro, o romeno Sebastian Colţescu, de tê-lo ofendido com dizeres racistas. A partida da Champions League precisou ser adiada.

Divulgação/PSG                                                                                      Divulgação/PSG

Para o baiano Edvaldo Valério, primeiro nadador negro do Brasil a ganhar uma medalha olímpica, um bronze em Sydney-2000, manifestações como essas dentro do esporte são uma excelente ferramenta educacional, com poder de reverberar em toda a sociedade.

“O esporte tem o poder de desconstruir o racismo que existe ainda dentro do próprio meio, mas também fora dele. O esporte é uma excelente ferramenta educacional, inclusiva e que dá possibilidade àqueles que não têm oportunidades a mostrarem o seu valor”, opinou o ex-atleta, em depoimento ao BNews.

                                                                                       Acervo pessoal

Desde os primórdios
A luta contra o racismo no esporte é muito antiga. Em solo brasileiro, o Vasco da Gama, primeiro clube no país a eleger um presidente negro (Cândido José de Araújo, em 1904), foi um dos times pioneiros no combate ao preconceito racial. Em 1923, os dirigentes da Associação Metropolitana de Esportes Athleticos (Amea), responsável pelo futebol no Rio de Janeiro, impuseram ao Cruzmaltino a condição de dispensar 12 jogadores negros do elenco para que a agremiação fosse aceita na liga. A imposição foi negada pelo alvinegro, em uma decisão que engrenou o fim da segregação na modalidade.

Anos depois, nos Jogos Olímpicos de Berlim-1936, o jovem velocista Jesse Owens, com 23 anos à época, faturou quatro medalhas de ouro. Ao subir no pódio, o norte-americano ergueu seu punho cerrado com orgulho, em referência ao Panteras Negras, movimento político antirracista dos EUA, em plena Alemanha nazista de Adolf Hitler.

Curiosamente, Owens diz ter sofrido preconceito quando voltou ao seu país. O presidente Franklin Roosevelt não teria recebido o velocista e feito uma recepção apenas para atletas brancos na Casa Branca.

Racismo dentro do esporte

Combatente, o esporte também escancara o racismo, assim como aconteceu com Owens. Casos mais recentes já aconteceram com os jogadores de futebol Daniel AlvesAranhaTaison, entre diversos outros.

De acordo com o Observatório da Discriminação Racial no Futebol, mesmo com partidas sem público durante grande parte do ano, foram registrados 68 casos de discriminação somente no Brasil em 2020 e outros oito com brasileiros no exterior.

A jogadora baiana de futevôlei Many Gleize, terceiro lugar no Campeonato Mundial de 2016, contou ao BNews que percebe o preconceito em “pequenos gestos”. “Quando viajei ao Canadá para disputar um torneio em 2013, estava com minha dupla, uma mulher branca. Ambas estávamos identificadas como atletas e caminhando juntas, mas eu fui parada pela polícia americana, em uma conexão que fizemos em Washington, fui levada a uma sala e me aplicaram um teste de drogas. Se estávamos juntas, por que abordaram somente a mim?”, questionou ela.

Campeão brasileiro pelo Bahia em 1988, o ex-zagueiro João Marcelo defende que a luta contra o preconceito é uma via de mão-dupla entre o esporte e a sociedade. “Ao mesmo tempo que o esporte é muito importante no combate ao racismo, o combate ao racismo no esporte depende do fim do mesmo na sociedade como um todo.”

Informações: Bnews

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