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Entidades movem ação contra projeto do BRT e propõem suspensão da licitação

Entidades movem ação contra projeto do BRT e propõem suspensão da licitação

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Quatro entidades entraram com uma ação nos Ministérios Público Federal e Estadual (MPF e MPE), na tarde desta quinta-feira (12), contra o projeto do Sistema de Transporte Rápido (BRT – sigla em inglês). O vereador Alberto Nery, presidente do Sindicato dos Rodoviários de Feira de Santana (Sintrafs), esclareceu que a ação não é contra o sistema, mas sim contra a forma como ele será implantado.

Além do Sintrafs, os sindicatos dos Petroleiros, dos Artesãos e os moradores do Residencial Mangabeira pretendem com a ação suspender o processo de licitação, marcado para ocorrer nos dias 16 e 17 de março – que envolve a contratação de empresas de ônibus e o BRT, e a execução das obras de requalificação para a implantação dos serviços.

“Esse projeto não vai resolver o problema do transporte público de uma cidade do porte de Feira de Santana. Houve duas audiências públicas realizadas pela prefeitura, nas quais as pessoas que deveriam participar da discussão, que seriam os comerciantes da Avenida Getúlio Vargas, as pessoas que têm barracas na Praça de Alimentação, os sapateiros, que serão prejudicados, os usuários do transporte, então, nenhum desses seguimentos foram ouvidos. Nas audiências quem estavam presentes foram os servidores municipais, que não têm nada a ver. Foram lá bater palmas e apoiar a proposta do prefeito”, disse.

Com a representação judicial, segue um relatório técnico onde é apresentado como sugestão o projeto do BRT contorno, que segundo o engenheiro Danilo Ferreira,“se encaixa perfeitamente” com a pesquisa feita pelo Governo do Estado, que será divulgada em breve, e que mostra que a periferia de Feira de Santana tem uma demanda muito maior que o centro da cidade.

“Esse projeto que temos do BRT Contorno elaboramos sob uma ótica de que a cidade é muito maior do que o centro. Feira hoje tem uma concepção macro, que extrapola os limites do Anel de Contorno, e a pesquisa de origem e destino feita pelo governo do estado mostra que temos nas regiões periféricas, mais demandas e sistemas geradores de viagem do que o próprio centro da cidade. Você tem mais viagens fora do que dentro do centro da cidade. Isso tudo é demonstrado tecnicamente com todos os elementos pesquisados e desconstrói a ideia do BRT através do centro da cidade”, ressaltou.

O vereador Alberto Nery acredita que apesar da proximidade da licitação, o processo pode ser suspenso. Além disso, segundo ele, há grandes chances de a licitação dar deserta porque a maioria dos empresários não se interessou pela licitação. “Estou antecipando que vai dar deserta porque nós colocamos que deveriam ser três lotes e o prefeito fez em dois lotes, e a maioria dos empresários não tem interesse de participar do processo de licitação da forma que foi proposta. Conversamos com alguns empresários em Salvador, inclusive com um deles que estava interessado, o Sebastião Soares, e o pessoal não vai participar”, disse.

O engenheiro Danilo Ferreira disse que o projeto atual é uma continuação do sistema atual, apenas com linhas da Getúlio Vargas e João Durval disseminadas de maneiras diferentes, mas que na opinião dele “não vai atender as necessidades das pessoas”.

“É bom que fique bem claro que não somos contra o BRT. Nós temos um projeto mais amplo, maior. Nossa proposta tem 14 km [da prefeitura tem 7 km], representa um salto enorme para Feira de Santana, que é o BRT Contorno, e nós estamos com essa representação porque o projeto apresentado pela Prefeitura de Feira de Santana possui uma série de inconsistências técnicas. Nós provamos que é inviável economicamente e tem uma interferência urbanística muito profunda na cidade. Imagine cruzar com esse BRT na Avenida Getúlio Vargas, que é uma avenida estreita? Essa obra interfere muito na vida das pessoas, e temos soluções melhores para o transporte da cidade”, continuou Danilo.

Quanto aos transportes alimentadores, como as vans, Danilo disse que são insuficientes para atender a realidade do transporte público. “Os alimentadores também conduzem ao centro da cidade, no projeto atual, quando no BRT Contorno, conseguimos fazer uma intermediação dessa alimentação de maneira que o usuário não precise se dirigir ao centro para chegar ao seu destino”, disse.

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