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‘Eleição presidencial não vai resolver eleição para governador da Bahia’, avalia ACM Neto

‘Eleição presidencial não vai resolver eleição para governador da Bahia’, avalia ACM Neto

“Não temos nenhuma pretensão de nacionalizar a eleição da Bahia”. Em Brasília, sentado à mesa no gabinete da presidência do DEM, no Senado Federal, ACM Neto falou, na quarta-feira (5), sobre tratativas e estratégias para o processo eleitoral de 2022.

Fazendo a ressalva de que ainda não selou pré-candidatura ao Palácio de Ondina, o ex-prefeito de Salvador e presidente nacional do DEM afirmou que pretende “cuidar do projeto Bahia com foco na Bahia”, num ligeiro contraponto à narrativa eleitoral usada pelo Partido dos Trabalhadores de que é necessário haver alinhamento estadual e federal, como foi nas campanhas de Jaques Wagner (em 2006 e 2010) e Rui Costa (2014) com os ex-presidentes Lula e Dilma Rousseff.

Neto afirmou que não há, “nesse momento”, nenhuma negociação em curso para cooptar o apoio do Partido Progressistas, que hoje tem a vice-governadoria da Bahia, como tem sido frequentemente ventilado nos bastidores, inclusive por pepistas.

Sobre a conjuntura nacional, ACM Neto evitou esboçar um diagnóstico sobre os rumos da CPI da Covid, mas se mostrou satisfeito com a performance do ex-ministro da Saúde e seu correligionário, Luiz Henrique Mandetta (DEM), no depoimento de quase oito horas no colegiado nesta terça (4).

Confira entrevista completa:

Primeiro queria saber suas impressões da CPI da pandemia, acha que realmente ela vai trazer algo substancial para a República? E como você avalia a participação de Mandetta na CPI?

ACM Neto: Olha, primeiro que eu espero que a CPI seja produtiva, espero que ela possa contribuir sobretudo para que, no pós-pandemia, a gente tenha um sistema de saúde muito mais robusto e fortalecido no país. Que ela também ajude a esclarecer a eventual responsabilidade de qualquer agente público que tenha porventura se envolvido em atos ilícitos. Agora, é cedo pra gente fazer um prognóstico definitivo do resultado dela, porque, infelizmente, o histórico das últimas CPIs no Brasil mostra que poucas tiveram resultado concreto. Sobre a participação do Mandetta, eu acho que ele foi muito bem, mostrou absoluta segurança, equilíbrio, teve um desempenho técnico, não só reforçou o que a gente já sabia, que ele foi o melhor ministro da Saúde nesse período todo, como também que a linha que ele adotava de enfrentamento à pandemia era a linha necessária para o país. Infelizmente depois da saída dele acabou sendo desviada, quer dizer, essa linha deixou de ser a tônica da condução do Governo.

Qual sua avaliação dos senadores do Democratas que têm atuado como uma tropa de choque bolsonarista dentro da CPI? 

ACM Neto: Não, você está fazendo referência a um senador, que é o senador Marcos Rogério, que ali não tem uma atuação partidária. A atuação dele é parlamentar. Dentro de uma CPI, cada parlamentar tem o seu posicionamento, tem a sua linha de atuação, e neste caso ali não há uma orientação partidária e, portanto, a atuação dele não reflete necessariamente uma posição coletiva do partido, e sim reflete um posicionamento dele parlamentar, de acordo com o pensamento dele, as convicções dele.

Como estão as conversas com Ciro Gomes? Há a possibilidade de Mandetta ser um vice na conjuntura dessa chapa?

ACM Neto: Olha, é cedo para falar. Primeiro, a gente estabeleceu dentro do DEM que o assunto 2022 no campo nacional só será tratado mais abertamente a partir do segundo semestre. Nós temos que respeitar a agenda do país que neste momento é a agenda da pandemia. É a prioridade absoluta do país. Mandetta é um dos nomes que a gente precisa considerar nesse tabuleiro, talvez um dos mais importantes. Eu já disse aqui várias vezes que eu tenho uma excelente relação com o ex-ministro Ciro Gomes, mantenho um diálogo com ele bastante fluído de várias questões do país. Muitas coisas concordamos. Nem tudo, mas muitas coisas concordamos. Agora, não dá para gente especular agora sobre uma aliança nacional, sobre composição de chapa, quem sai na cabeça e quem sai na vice, tudo muito cedo. Como presidente do partido eu tenho que ter o cuidado, compreendendo a minha posição, porque qualquer membro do DEM pode falar por si, eu sou o único que não tenho como separar a minha opinião do todo, do coletivo. Então assim, nós não abrimos essa discussão ainda. O nome do Mandetta é um nome que qualquer rodada de discussão política sempre vai ser lembrado pelo que ele representa e pela musculatura que ganhou do ponto de vista nacional, agora isso vai ser tratado na hora certa.

Acha que Bolsonaro vai ter palanque na Bahia? Não há risco de, em caso de fechar um acordo, isso futurologia, com Ciro Gomes e Bolsonaro ter um candidato lá que é especulado ou o nome de João Romão ou o nome de Alexandre Aleluia… acha que não pode ter uma divisão da bancada de oposição, dos votos da oposição e facilitar a vida de Jaques Wagner?

ACM Neto: Eu não posso especular sobre isso, né? Eu nunca fiz política com base no que pessoas que não estão próximas a mim farão ou deixarão de fazer. Então assim, as minhas decisões elas têm muito a ver com a minha estratégia e do meu grupo político, ponto. Engana-se o político que acha que tem a capacidade de manipular o seu adversário, de escolher qual vai ser o jogo do seu adversário. Você pode definir o seu jogo, a sua estratégia. E tá cedo pra falar. Eu evidentemente que, se não abri a discussão nacional ainda do posicionamento do DEM na eleição presidencial, menos ainda posso especular sobre como vão se dar as relações de candidaturas presidenciais com candidaturas locais. Uma coisa que asseguro, eu vou cuidar do projeto Bahia com foco na Bahia. Nós não temos nenhuma pretensão de nacionalizar a eleição da Bahia. O que o Estado vai escolher no próximo ano é o seu futuro governador. E em 2012, quando eu me elegi prefeito, lembro, na época, contra um governador e contra uma presidente que eram de um mesmo partido eu mostrei claramente, ‘olha, essa coisa de que ela tem que ser do mesmo partido não existe’. Depois, com o êxito da nossa gestão, ficou muito claro. Então, o nosso foco vai ser o mesmo. A minha linha é a linha de uma fórmula exitosa, de sucesso que nós já adotamos e que, portanto, deu certo. Nosso foco é a Bahia, nós vamos discutir o Estado. Essa coisa que a eleição para presidente vai resolver eleição para governador, isso não vai existir, entendeu?

Eu conversei com João Roma segunda e ele deu a entender, já no finalzinho da entrevista, de que houve uma interferência sua, quando eu perguntei a ele sobre a relação com o Bruno Reis, e ele disse entender que houve uma influência sua na saída de pessoas dele da gestão de Bruno Reis. Bruno Reis disse hoje que não, que a decisão foi dele. Mas aí eu pergunto a você: teve ou não teve algum tipo de pedido para que pessoas ligadas a João Roma saíssem? 

ACM Neto: Veja bem, eu não tinha visto a declaração do ministro, vi apenas a declaração do prefeito hoje. A cidade toda sabe que o prefeito de Salvador é Bruno, quem vem tomando todas as decisões sobre a prefeitura é Bruno. Desde o dia primeiro de janeiro quem nomeou os seus secretários, os seus auxiliares, com toda a liberdade, com toda autonomia, com toda a autoridade é Bruno. Então, veja, Bruno é o prefeito. Em quatro meses isso ficou muito claro. Eu dizia antes de sair da Prefeitura, não imaginem que eu vou ficar de sombra, que eu vou ficar ali como uma força oculta, não, não me disporia isso em nenhuma hipótese, tá certo? Ao contrário acha que dei um exemplo muito claro de como é que você vira a chave, como é que muda o chip. Existe apenas um prefeito na cidade que chama-se Bruno Reis.

Na coletiva que você fez com jornalistas, quando foi citado o nome do Roma, para falar da relação, você disse que não falaria, que isso era do foro íntimo e não preferia falar. Mas, mesmo assim, não há nenhum tipo de contato com o ministro, nem de maneira institucional? Não há nenhum tipo de possibilidade de retomada de uma relação?

ACM Neto: Veja, é o assunto que eu não vou tratar, esse assunto vou repetir, eu tratei desse assunto no dia que o ministro foi escolhido pelo Presidente da República. Tudo que eu tinha para dizer eu disse naquela oportunidade e, por ora, eu não tenho nada a acrescentar nesse assunto.

Tem negociação com o Partido Progressista para 2022? 

ACM Neto: Neste momento?

Sim

ACM Neto: Nenhuma, nenhuma negociação. E na minha estratégia eu não vou ficar esperando ou contando com o que pode ou não acontecer com partidos que estão hoje na base do Governo do Estado. Isso não quer dizer que a gente não possa dialogar, ao contrário, a política é feita desta forma e eu, mais do que todo mundo, valorizo a democracia e a importância do diálogo. Então, tenho uma excelente relação com vários membros do Partido Progressistas, tanto na Bahia como aqui em Brasília. Mas hoje não existe nenhuma negociação. Não existe nenhuma conversa na mesa. E a minha prioridade é, antes de tudo, montar o meu time, organizar a minha equipe. Nós já temos hoje uma quantidade de partidos bem razoável, com lideranças com densidade política. Se vai ou não acontecer algum tipo de diálogo lá adiante com partidos que estão na base do governo, eu não sei, mas hoje esse diálogo não existe e uma coisa é certa a minha prioridade hoje está dentro da organização dos partidos que já integram a nossa base política na Bahia.

A formação da sua chapa majoritária em 2022 tem como premissa ter nomes jovens para de alguma forma tentar concorrer com os eventuais cabelos brancos que vão ter do outro lado? 

ACM Neto: [Risos] Ah, vamos ver, a gente, é, eu não, eu não abri ainda essa discussão. Eu sequer, nesse momento, ainda confirmei uma pré-candidatura ao governo. Eu tenho dito, bom, antes de tudo é a vontade de Deus. Ponto. Eu sou uma pessoa de muita fé, muito religioso, então, não abro mão disso. Segundo, uma coisa é fato, eu não tenho opção, eu não tenho outra alternativa, eu não analiso a hipótese de outro projeto, então o meu foco todo é no sentido de, no momento certo, definir uma pré-candidatura ao governo e se as coisas avançarem bem, se as condições forem favoráveis, depois confirmar uma candidatura ao governo. Primeiro uma pré-candidatura, depois uma candidatura. Mas, na medida que nem o primeiro passo ainda foi dado, não há porque falar em composição nesse momento, ou mesmo entrar no detalhe de perfil. Uma coisa é certa, independentemente de quem vai ou não integrar uma eventual chapa minha no próximo ano, a comparação entre o passado e o futuro será inevitável. Não é apenas por questão de idade, até porque eu não teria jamais esse preconceito em relação a idade. Mas é por uma questão de visão, é por uma questão de que, de um lado você vai ter um projeto que acumula dezesseis anos de exercício de poder na Bahia e do outro lado você vai ter a possibilidade de algo novo, diferente, mais arrojado, com uma ambição de devolver à Bahia uma posição de liderança, de pensar fora da caixa, de trazer novos modelos, de fazer uma gestão contemporânea, de vanguarda. Então, esses valores pra mim, eles vão inevitavelmente se contrapor. E isso acabará impondo uma clara comparação entre dois modelos, um modelo do passado e um modelo do futuro. Ponto. Agora, como vai se dar, quais vão ser os critérios, a forma de composição aí é outra história.

Qual é a sua avaliação desse caso Alden? 

ACM Neto: Esse é um assunto da Assembleia.

Não teve nenhuma orientação aos deputados da bancada de oposição?

ACM Neto: Veja bem, não, não. Primeiro, eu volto a dizer, esse é um assunto que eu acho que cabe à Assembleia. As colocações do deputado, na minha opinião, foram absolutamente inoportunas, inadequadas, ofensivas. Agora, se você me perguntar, eu não acho que isso seja motivo suficiente para, talvez, determinar a cassação do mandato. Agora, é um questionamento que não cabe a mim. Essa é uma posição que os deputados vão ter que discutir. Eu acho que aplicar uma pena de cassação de mandato é algo demasiado para o caso. Mas é uma opinião de fora que eu dou apenas a título de observador do assunto, porque esse é um assunto que tem que ser tratado na bancada na Assembleia.

Informações: Bnews

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