Concurso Receita Federal: veja dicas de preparação para a prova e o que se atentar do edital

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A Receita Federal lançou nesta semana um dos concursos mais esperados dos últimos anos – o edital prevê 230 vagas para auditor-fiscal e 469 para analista-tributário, com salário de R$ 21.029,09 e R$ 11.684,39, respectivamente.

Os candidatos devem ter diploma de conclusão de curso superior, em nível de graduação, em qualquer área.

Os especialistas do Gran Cursos Online Alexandre Meirelles e Anderson Ferreira dão dicas de preparação para a prova e explicam as principais mudanças deste edital em relação aos anteriores.

De acordo com Ferreira, o tempo é muito curto para quem vai começar a se preparar do zero, já que são muitas disciplinas, incluindo ainda as questões discursivas, e faltam pouco mais de 3 meses para a prova, que será aplicada em 19 de março de 2023.

Mas, para ele, ainda assim vale a pena fazer a prova, pois o concurso da Receita pode ser um pontapé inicial para os concurseiros que estão começando a olhar para a área fiscal.

“Após a Receita, serão vários Fiscos nos municípios e estados, como o ISS e a Sefaz, e o conteúdo desse concurso é a espinha dorsal para essas demais provas regionais”, comenta.

Confira as dicas de preparação

Os professores informam que não haverá mais mínimo de acertos por disciplina, o que é uma quebra na tradição de concursos da Receita Federal. No entanto, há mínimo de 50% de acertos nas provas, sendo mínimo de 50% em conhecimentos básicos e 50% em conhecimentos específicos – além de não ser permitido zerar em nenhuma disciplina. Isso quer dizer que o candidato deve ter um conhecimento mínimo em cada disciplina para não ser desclassificado da seleção.

Os especialistas alertam ainda que o candidato deve ter muito cuidado com o tempo, já que as duas provas, tanto para analista quanto para auditor, contam com 140 questões, sendo 80 de conhecimentos básicos, com aplicação na parte da manhã, e 60 de conhecimentos específicos, aplicada na parte da tarde, com a aplicação ainda de uma questão discursiva para o cargo de analista e duas questões para auditor.

Na parte da manhã são as provas mais demoradas, como Português, Estatística e Raciocínio Lógico, com 4h30 para resolver as 80 questões. Os professores lembram que a FGV costuma usar textos longos, o que pode ser cansativo e demorado (leia mais sobre o estilo da banca abaixo).

Na parte da tarde será a prova específica, com 4h30 para resolver as questões das áreas de Legislação e Direito e as questões discursivas.

O edital trouxe a língua inglesa para a prova de ambos os cargos. O foco maior será em interpretação de texto, mas os professores não descartam que possa cair gramática.

O peso da prova discursiva para auditor é de 30% do concurso, enquanto para analista é de entre 17% e 18%. Para os professores, trata-se de um peso grande e será determinante na classificação. Por isso, é importante que o candidato dê atenção a essas questões e busque estratégias para responder as questões discursivas.

A dica dos especialistas para as provas discursivas é se preparar estudando o conteúdo programático das disciplinas de conhecimentos específicos que estão no edital. Além disso, é preciso se atentar à estrutura das questões de acordo com o que está no edital e com o que foi cobrado em provas anteriores. Depois de fazer essa análise, o ideal é treinar bastante esse tipo de questão.

Diferenças em relação aos concursos anteriores

Analista-tributário

  • O último edital foi em 2012 – veja as provas anteriores do concurso.
  • Saiu espanhol, e a única opção de língua estrangeira é a inglesa. O edital dá a entender que pode cair gramática também, mas o foco maior é em interpretação de texto.
  • O edital não cobra contabilidade, o que aumenta as chances de quem veio de fora da área fiscal.
  • Entrou estatística inferencial (só a parte de juros).
  • Entrou administração pública.
  • Não entrou direito previdenciário, nem mesmo dentro de legislação tributária.
  • O edital prevê o conteúdo de direito constitucional completo, assim como para o cargo de Auditor.
  • Entrou fluência em dados (tecnologia da informação).
  • A parte de legislação tributária aumentou bastante. Antes era só imposto de renda e IPI, agora vão cair conteúdos como IOF e contribuições sociais.
  • O peso das matérias foi melhor distribuído.

Auditor-fiscal

  • O último edital foi em 2014 – veja as provas anteriores do concurso.
  • Saiu espanhol, entrou inglês.
  • Saiu matemática financeira (só tem juros).
  • Saiu comércio internacional.
  • Entrou contabilidade pública e o conteúdo de análise das demonstrações foi colocado no meio de administração geral.
  • Entrou TI – fluência em dados.
  • Voltaram as disciplinas de economia e finanças públicas, que não estavam no edital anterior.
  • Direito previdenciário continua e agora são custeio e benefícios, além de estar dentro de legislação tributária.
  • Legislação tributária e auditoria tiveram aumento de conteúdo.
  • Direitos civil, empresarial e penal continuam de fora.
  • O peso das matérias foi melhor distribuído.

Estilo da FGV

A FGV é a responsável por organizar o concurso. Um dos destaques da banca organizadora é o nível de exigência, considerado difícil, segundo o professor de Língua Portuguesa do Gran Cursos Elias Santana.

“A FGV tem características únicas e muito específicas. Apesar de os assuntos serem interligados, considerando o que vem no edital, a forma de cobrança não se aproxima de nenhuma outra banca”, diz.

Antonio Batist, especialista em carreiras, gestão pública e empresarial, aponta que a FGV é das poucas bancas que evita pegadinhas e decoreba. “Costuma ter perguntas bem elaboradas e adaptadas à realidade de cada concurso. Intensa em interpretação de texto e com enunciados cansativos e longos”, afirma.

Para Batist, o nível de dificuldade é de moderado a complexo a quem realmente se prepara. E bastante difícil a quem prioriza decoreba. “A prova abrange todo o conteúdo programático do edital e de forma integrada”, diz.

De acordo com Santana, a formulação padrão das provas é de múltipla escolha, com 5 opções e uma delas correta. Mas as questões costumam ter enunciados longos e complexos, com a utilização de termos técnicos e metafóricos.

Segundo os especialistas, as provas discursivas costumam ter temas atuais e podem ser estruturadas em modelos de questões, com no máximo 60 linhas para cada pergunta, ou serem dissertações e estudos de caso – o tipo de prova, os critérios e a extensão variam de acordo com o cargo.

Batist reforça que as provas costumam abranger assuntos atuais, por isso, vale acompanhar o noticiário.

“É altamente recomendável ‘se jogar’ só nas provas da FGV porque ela possui estilo único na cobrança de interpretação textual e na aplicabilidade das provas à realidade de cada instituição. Logo, estudar por outras bancas não vai ajudar muito”, afirma.

Antes desse edital, quem fazia os concursos era a Escola de Administração Fazendária (Esaf), que acabou incorporada pela Escola Nacional de Administração Pública (Enap) em 2019. Por isso, é recomendado os candidatos também treinarem com as provas anteriores da FGV para cargos de nível superior. Acesse o link para as provas.

Fonte: G1

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