Share on whatsapp
Share on facebook
Share on twitter
Share on telegram
Share on google
Share on email
Share on linkedin

Carol Borba: “É preciso ver o exercício além da sofrência e do projeto verão”

Carol Borba: “É preciso ver o exercício além da sofrência e do projeto verão”
 
 

“Não me abandona!”. O bordão da educadora física Carol Borba , repetido em suas aulas transmitidas pelo Youtube e Instagram – e também por uma  plataforma de exercícios – já mostra o modo diferente de lidar com as atividades físicas . Ao invés de apelar para inseguranças e padrões de beleza inatingíveis por meio de um ” projeto verão “, a treinadora convida se mexer como parte do dia a dia, como uma amiga incentivando a não desistir.

O bordão de Carol Borba virou filtro do Instagram, usado por muitas das milhares de alunas que acompanham seus vídeos de exercícios curtos, fáceis e realistas, no sentido de que são possíveis de acompanhar mesmo sem muito condicionamento físico ou espaço, já que a maioria das aulas pode ser praticada na sala de casa, incluindo os super procurados exercícios aeróbicos para emagrecimento ou para perder barriga, como as aulas de HIIT ou de exercícios abdominais. 

Na entrevista exclusiva ao iG Delas, Carol Borba conta como migrou das aulas presenciais para a Internet e dá dicas de como começar a se exercitar e não desanimar, sobre o mito de ser fitness ser igual a passar fome e como traçar metas que sirvam de incentivo sem que isso vire uma fonte de ansiedade. 

 

iG Delas: Em primeiro lugar, queria que você contasse um pouco da sua trajetória como educadora física e influencer fitness. Como o exercício físico entrou na sua vida e virou sua profissão?

Carol Borba : O fitness mudou a minha vida, mudou o meu jeito de ser desde criança. Eu era uma menina muito tímida quando comecei a me exercitar, fazendo aulas de jazz. Nas aulas de jazz eu fui me movimentando, conhecendo novas pessoas. Se movimentar é um tabu para muitas pessoas, elas acham que não levam jeito, que não têm coordenação motora, mas a partir do momento que você começa, você vê o quanto é benéfico. Isso aconteceu comigo na infância. Mas quando eu fui fazer vestibular, eu não vou dizer que não tive dúvidas, porque a gente fica pensando “ah, isso não deve dar muito dinheiro”. Aí eu fiz vestibular pra Medicina, passei, mas não cursei.

Minha mãe falava: “pensa, estuda mais um ano” e nessa eu resolvi que queria fazer Educação Física. Eu fiquei parada, parei de ir pra academia, parei de dançar, de me exercitar enquanto estava estudando pro vestibular e isso me fez muito mal. Então eu pensei: acho que vou trabalhar com isso. O exercício foi um fator transformador na minha vida, assim como o esporte é para muitas pessoas. Eu não sou boa de esportes, se você me der uma bola na mão, eu não sei o que fazer. Mas aula com música, fazer exercício, suar, aquela sensação gostosa que a gente tem depois, isso eu amo. 

iG Delas: E como foi que você saiu das aulas presenciais em academias para a Internet? 

Carol Borba: Eu dava aula dentro de academias, de ginástica. Virei coordenadora de uma academia grande aqui na minha cidade [ela reside em Londrina, Paraná], virei personal trainer. Eu trabalhava demais. Demais, demais. Meu corpo estava cansado e eu sentia que precisava, de alguma forma, reestruturar tudo isso. Até que uma coach de carreiras me disse pra fazer um canal no YouTube. Naquele momento eu não me via fazendo isso, mas de tanto que ela insistiu um resolvi fazer o canal no YouTube.

 
 

Eu criei em maio de 2015, mas só tive coragem de postar o primeiro vídeo em agosto de 2016. Aí eu criei o canal e pensei: “ai, meu Deus”. Com vergonha, achando que estava tudo errado… Só que desde o início eu me comprometi com o canal, estar ali sempre olhando os comentários, respondendo às pessoas. Resolvi encarar aquele canal como a minha sala de aula. A coisa foi fluindo, o canal explodiu e se tornou a minha profissão. Aí eu comecei a trazer para o meu Instragram, que também começou a crescer e acabou virando uma engrenagem. 

Hoje em dia eu dou mais aula em academia, é tudo on-line e tem sido uma bênção. O contato que eu tenho com as aulas, mesmo virtual, quando eu encontro é como se conhecesse há muito tempo. Além disso, o canal se tornou uma vitrine do meu trabalho para muitas empresas. Um tempo depois que eu comecei, uma empresa que é a maior do Brasil de cursos on-line voltados pro fitness, entrou em contato comigo para criar alguns programas fechados. Deu muito certo e hoje eu tenho vários programas dentro dessa plataforma, a Queima Diária. 

iG Delas: Com a vacinação avançada, muitas pessoas estão tomando coragem de voltar pra academia ou começar a ter uma vida mais saudável, abandonar o sedentarismo ou minimizar os danos do home office. A pergunta é: o que a gente faz pra não desanimar?

Carol Borba:  A motivação não é uma luz que desce do céu, uma luz que vai te iluminar. Cada um tem isso muito particular. A primeira coisa é identificar isso. Eu tenho preguiça igual todo mundo. Mas tenho uma coisa que me motiva muito. Quando eu vejo uma foto de uma pessoa maravilhosa, sarada, toda suada treinando, ou uma pessoa correndo na rua dizendo “ai que delicía, acabei de treinar” isso me motiva. Eu penso: “ai, verdade, se eu for correr vai melhorar”.

Todo mundo estigmatiza essa virada – de estar parado e começar a se exercitar – como um processo doloroso, uma sofrência. Eu não enxergo assim. É um sofrimento tão curtinho que traz tantos outros benefícios depois. Então a dica é mudar o olhar. Não enxergar isso como algo ruim. Mudando o foco você consegue enxergar o exercício pelo lado positivo dele. Na verdade eu acredito que ele só tem o lado positivo. Até a dorzinha. Se você continuar, a dor não volta. Sair da zona de conforto é difícil, mas é só esse primeiro passo. Depois tudo fica fácil. O resultado que você vai ver no espelho, sua autoestima, sua disposição, tudo isso vai servir de estímulo pra continuar. 

iG Delas: Voltando a esse último ponto: os resultados não são só apenas os que você consegue ver, não é?

Carol Borba:   Eu acho que o resultado mais importante não é o visível. Nem quando você diz que vai melhorar colesterol, triglicérides, porque tem gente que não tem problema nenhum com isso, ainda. O resultado, para mim, que mais pesa é esse da sensação de bem-estar: a melhora no humor, na disposição, no seu condicionamento físico para você fazer o que quiser. 

Todo mundo tem algo que faz pensar: “poxa, se eu fizesse exercício isso aí melhoraria”. Ficar sentado muito tempo é terrível pro nosso corpo, nosso corpo não foi feito pra ficar assim, então precisa se exercitar. Quem tem filhos, quem tem avó, que trabalha em home office, quem vai o mercado, pra fazer qualquer coisa. Correr atrás dos sonhos, quer viver, fazer uma viagem. Os nossos sonhos só se concretizam com movimento, a gente se movimenta pra respirar. 

iG Delas: Outra coisa que é muito comum é ouvirmos que precisamos perder peso para depois trabalhar a massa muscular (massa magra). Como equacionar isso? Para emagrecer precisa fazer uma hora de aeróbicos e só comer salada, e depois fazer um trabalho de fortalecimento muscular?

Carol Borba: A gente consegue emagrecer fazendo um trabalho para ganho de massa, porque perder peso não é a mesma coisa que emagrecer. Fazendo musculação, eu consigo perder gordura e ganhar massa magra. O aeróbico com certeza vai me ajudar no processo de emagrecimento, o processo de perda de gordura. Pode fazer as duas coisas juntas? Pode e deve. Se você fizer muito aeróbico e não tiver um fortalecimento, você não tem massa magra para sustentar suas articulações – e geralmente os exercícios aeróbicos (corrida, jump, HIIT) são exercícios com impacto.

Mas você consegue, sim, emagrecer fazendo um treino para ganhar massa magra. Só que precisa ter paciência. Se você estiver fazendo uma dieta hipocalórica, comendo pouco e fazendo mais aeróbicos, você vai ver essa perda de peso mais acelerada. Se você tiver uma reeducação alimentar e fizer um trabalho para ganhar massa magra, pode ser que você demore um pouco mais para emagrecer. Mas isso vai acontecer com saúde, com qualidade. A junção das duas coisas é o ideal, porque a massa magra é muito importante para nossa saúde.  

iG Delas: Com relação à musculação. Muitas mulheres evitam treinar membros superiores com medo de ficar super musculosa. Isso é mito ou verdade?

Carol Borba: É um mito isso. É uma questão fisiológica: você não tem hormônio suficiente para virar uma mulher “Hulk”, bombada. Você precisa treinar e comer muito pra isso. Para uma uma mulher conseguir ficar com uma estrutura forte ela tem que ter um planejamento, a gente não fica grande sem isso. A gente tem uma tendência a acumular gordura e não para ganhar massa magra. Então treinar braços, treinar costas, é importante. Quem trabalha sentado, faz home office tem que treinar costas, tem que treinar ombro, tem que treinar peitoral para conseguir ter uma postura bonita, para conseguir ter saúde mesmo. 

iG Delas: Algumas pessoas colocam metas de peso ou de manequim como motivação para se exercitar. Ter metas é positivo ou pode acabar gerando ansiedade?

Carol Borba: Vai de cada um. Estabelecer metas pode gerar ansiedade para muitas pessoas; para outras, pode ser um fator motivador. Você tem que se conhecer e saber como vai processar isso. Acho que a meta funciona bem pra aquelas pessoas que sabem que desanimam rápido. Se você sabe que daqui a um mês vai desanimar, estabelecer uma meta que seja possível é interessante. Mas tem que avaliar, porque essa meta pode passar a te causar ansiedade.

De repente você tá no “Projeto Verão” e sua amiga perdeu 10kg e você perdeu 3kg e você fica frustrada… Isso pode gerar um transtorno alimentar, uma aversão aos exercícios. Você tem que se sentir. Entrar em uma meta com um grupo ou com alguém pode ser super positivo, porque você se conecta com outras pessoas que estão na mesma vibe que você.

Mas a partir do momento que você começa a se comparar com outras pessoas isso é terrível. Às vezes a pessoa mudou a composição corporal, perdeu 10kg, mas perdeu massa magra porque não se alimentou bem; enquanto outra pessoa pode ter perdido 5kg, mas se alimentou direitinho e perdeu 5kg de gordura corporal. A sua meta tem que ser sempre pessoal, não se comparar com outros. 

iG Delas: E o tal do “Projeto Verão”, Carol? A pessoa não treinou o ano inteiro, mas tomou vacina agora e está com todo o gás para voltar a se exercitar. Como pensar em uma meta possível nos três meses que restam até o verão? Dá tempo de ver uma mudança? 

Carol Borba: Dá sim. Como profissional, “Projeto Verão” não é algo que eu gosto de falar que tem que fazer, porque eu acho que exercício e alimentação é projeto de vida. E por mais que seja clichê, tudo o que você muda aos poucos é duradouro. Você sente, absorve, pode sentir benefícios. Mas existe, sim, a possibilidade de um “Projeto Verão” dar muito certo. Como falamos antes, pode funcionar como motivação.

O que é possível? Depende da meta de cada um, do objetivo. Mas é possível transformar o seu corpo em pouco tempo, em um mês sentir uma transformação que não imaginou que fosse possível – se você for regradinha. Mas tem que levar em consideração se essas regras estão te fazendo bem. Se você está morrendo de vontade de comer um doce, mas falou que não iria comer e isso está gerando uma compulsão alimentar, ansiedade, não compensa.

O que mais acaba com a gente é o fim de semana, porque a gente pensa: “vou liberar geral”. Então, se você falar que vai fazer um “Projeto Verão” e vai se manter ativa nos fins de semana, que seja pra fazer uma atividade mais lúdica, como uma caminhada com seu cachorro ou uma pedalada, mas não ficar o tempo todo deitado ou sentado… Se você se comprometer nos fins de semana também se alimentar bem e não “enfiar o pé na jaca”, principalmente com bebidas alcoólicas e doces, que é o que mais atrapalha em termos de estética… Se você se comprometer com isso, com os finais de semana, você consegue fazer um “Projeto Verão” bem feitinho.

OUTRAS NOTÍCIAS