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Candidatura de Lula à Presidência causa tsunami na Bahia

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Julia Duailibi, comentarista da Globonews, não teve dúvidas ao comentar ontem o primeiro pronunciamento público do ex-presidente Lula depois da decisão do ministro Edson Fachin, do Supremo Tribunal Federal (STF), que tornou o petista elegível de novo: a campanha foi deflagrada. O assombro não se circunscreve ao plano nacional. Nos Estados, sobretudo aqueles governados pelas esquerdas ou pelo PT, como a Bahia, a possibilidade de Lula poder disputar de novo a presidência da República teve o efeito de um tsunami, com ondas plenamente favoráveis a aliados e vigorosamente desvantajosas aos adversários.

Não há como negar que o maior beneficiário de uma eventual candidatura presidencial do petista na Bahia será o ‘galego’, como, na intimidade, o líder petista chama o senador e ex-governador Jaques Wagner. Com o comando do partido no Estado nas mãos, providência que tomou para evitar contratempos ao projeto de concorrer de novo em 2022 quando os tempos não lhe pareciam assim tão favoráveis, inclusive em virtude de um certo dissenso com o hoje governador, ele assume o favoritismo à sucessão de Rui Costa puxado pelos elevados índices de que Lula desfruta na Bahia, na casa dos 60%, segundo aliados.

Segurando na mão de Lula, Wagner faz uma corda de caranguejo com siglas que já estão hoje na base do governo, a exemplo do PP e do PSD, com força e tranquilidade para rearrumá-las na chapa que deverá encabeçar do jeito que convier mais a ele do que a elas, consolidando mais facilmente o pacto com as demais siglas que integram o campo governista e já ensaiavam alguma rebeldia, a exemplo do PSB, exatamente na esteira da sensação de que o PT entrara em fadiga de material pelo fato de estar completando 16 anos na gestão do governo estadual no ano da eleição. O que parecia o maior obstáculo de Wagner parece, de fato, resolvido.

É o reenquadramento do governador no projeto coletivo da legenda, que ficará claro quando decidir anunciar que não é candidato ao Senado em 2022, plano pelo qual passara a trabalhar sem o consentimento de Wagner exatamente por medo de uma derrota que, agora, com Lula em campo, deixa de compor o cenário com que muitos trabalhavam ao seu lado. Na contramão do otimismo que passou a cercar o petismo baiano, foram pegos os defensores da candidatura ao governo de ACM Neto (DEM), praticamente o único líder da oposição na Bahia. Neto era a bola vez exatamente por uma série de predicados:

a juventude, a novidade, a excelente performance como gestor da capital baiana, que transformou radicalmente em oito anos de governo e lhe possibilitou fazer o sucessor, Bruno Reis (DEM), qualidades que só precisavam exatamente de um candidato presidencial ao qual se alinhar para alavancá-lo, um problema cuja solução podia aguardar o futuro exatamente porque Lula não estava em campo. O quadro muda de forma abruta para ele enquanto não aparece no horizonte ninguém para quebrar a polarização entre o petista e o presidente Jair Bolsonaro, por quem seu sentimento – seu posicionamento mostra – nunca foi de admiração.

Informação – Política Livre

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