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Brasil tem mais 20 bilionários, enquanto 19 milhões passam fome

Brasil tem mais 20 bilionários, enquanto 19 milhões passam fome

Fortuna somada dos agora 65 super ricos brasileiros quase dobrou, de US$ 127,1 bilhões em 2020 para US$ 219,1 bilhões em 2021. Mais da metade da população enfrenta algum nível de insegurança alimentar

Se a pandemia do coronavírus é um tsunami que arrasta empregos, renda e a segurança alimentar de grande parte da população, ela também se tornou a onda perfeita em que uma ínfima minoria surfou para aumentar suas fortunas. “Os muito, muito ricos ficaram muito, muito mais ricos”, comentou o diretor de conteúdo e editor da revista ‘Forbes’, Randall Lane, sobre o ranking dos ‘Bilionários do Mundo 2021’ publicado nesta terça (6).

No Brasil, onde não se taxa nem grandes fortunas nem lucros e dividendos distribuídos a acionistas das corporações, mais 20 superprivilegiados (ou 0,0000095% da população) ingressaram no clube dos bilionários em dólares, que já contava com 45 associados. Nove deles sequer vivem no país. Ao todo, são 57 residentes no Brasil na lista da ‘Forbes’. A fortuna somada deles quase dobrou – foi de US$ 127,1 bilhões para US$ 219,1 bilhões, ou R$ 1,2 trilhão.

Os números contrastam brutalmente com outro “ranking”, divulgado na véspera. O ‘Inquérito Nacional sobre Insegurança Alimentar no Contexto da Pandemia da Covid-19 no Brasil’, desenvolvido pela Rede Brasileira de Pesquisa em Soberania e Segurança Alimentar (Rede PENSSAN), revela que mais da metade (116,8 bilhões) dos 211 milhões dos brasileiros e brasileiras não tem acesso pleno e permanente a alimentos, nos mais variados níveis: leve, moderado ou grave. E 19 milhões (9%) estão passando fome.

Mesmo com a maior queda no Produto Interno Bruto (PIB) da história brasileira no ano passado – de 4,1% em relação a 2019 – os super ricos tupiniquins conseguiram angariar ainda mais renda, enquanto o país amargava retração econômica e tragédia sanitária. No mundo, o acréscimo no número de bilionários foi de 660.

Embora alguns dos bilionários brasileiros tenham despencado no ranking da ‘Forbes’, um relatório do banco suíço UBS e da PwC publicado em outubro do ano passado apontou que a fortuna dos bilionários brasileiros havia aumentado 99% de 2009 a 2020, indo de US$ 88,6 bilhões a US$ 176,1 bilhões em 11 anos.

Os números são assustadores! Os bilionários no Brasil aumentaram 44%, segundo lista da Forbes. Com isso, 65 pessoas detêm, 219,1 bilhões de dólares. Enquanto isso, a fome atingiu 19 milhões de brasileiros. Bolsonaro nos jogou no mapa da fome, alerta o senador Paulo Rocha (PT-PA), líder da bancada do partido

“Esses números irão gerar uma quantidade infinita de consternação, a maioria delas justificada”, comentou Randall em editorial. “O capitalismo, o maior sistema de geração de prosperidade de todos os tempos, repousa sobre um pacto social de expansão, de design desigual. A economia da Covid-19 sobrecarregou esse conceito; a disparidade econômica crescente representa, sem dúvida, a maior ameaça à ordem social moderna.”

Para o senador Paulo Rocha (PT-PA), o desgoverno Bolsonaro é o principal responsável pelo descalabro. “Os números são assustadores! Os bilionários no Brasil aumentaram 44%, segundo lista da Forbes. Com isso, 65 pessoas detêm, 219,1 bilhões de dólares. Enquanto isso, a fome atingiu 19 milhões de brasileiros. Bolsonaro nos jogou no mapa da fome”, publicou em postagem no Twitter.

Em setembro de 2020, a organização Oxfam já alertava para o crescimento acelerado das super fortunas no país. “Não podemos aceitar que esse modelo econômico, que privilegia alguns poucos bilionários em detrimento de toda a sociedade, continue a ditar as regras. Nosso relatório mostra que essa economia só tem funcionado para um pequeno grupo de pessoas”, criticou a diretora executiva da Oxfam Brasil, Katia Maia.

O relatório ‘Tempo de Cuidar’ revelou como governos cobram poucos impostos dos mais ricos e de grandes corporações. Com isso, abandonam a opção de levantar os recursos necessários para reduzir a pobreza e as desigualdades, sub-financiando serviços públicos e infraestruturas essenciais.

“Queremos uma economia voltada para 100% da população e não para o 1% mais rico do mundo. Com isso, o desenvolvimento e oportunidades devem ser para todos e todas, e não apenas para o mesmo grupo de privilegiados de sempre: homens brancos e ricos”, finalizou a dirigente da Oxfam Brasil.

Informações; CUT

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