O sucesso da nona edição do Festival de Sanfoneiros realizada na noite de quarta-feira (22) no auditório central da Universidade Estadual de Feira de Santana (Uefs) é uma comprovação de que o autêntico forró tem prestígio popular. Promovido pela Uefs, por meio do Centro Universitário de Cultura e Arte (Cuca), o festival reuniu mais de 1.500 pessoas. O auditório central ficou lotado e muitas pessoas ficaram do lado de fora no saguão onde foram instalados dois telões.

12 finalistas disputaram a premiação de três categorias: infanto-juvenil (1º lugar: Wendell Freitas; 2º lugar: Pedro Feitosa; 3º lugar: Cristian Santos); Categoria 1 / até 8 baixos (1º lugar: Godealdo de Jesus; 2º lugar: Estevão Oliveira; 3º lugar: André Galdino); e Categoria 2 / acima de 8 baixos (1º lugar: Pedro Paulo Ferreira Feitosa; 2º lugar: João Saldanha; 3º lugar: Felipe Guirra).

O diretor do Cuca, Aldo Morais, explica como é feita a escolha dos grupos de sanfoneiros. “Foram 25 sanfoneiros inscritos, desses, 13 vierem pra final. Eles se apresentaram para os jurados e foram avaliados com base em critérios como performance, domínio de palco e o domínio técnico do instrumento”, afirmou.
O primeiro colocado recebeu 4 mil reais, o segundo 3 mil reais e o terceiro colocado recebeu 2 mil reais de premiação. O júri popular ainda premiou com 1.500 reais.

Uma das apresentações no festival foi de Baio do Acordeom. Ele tem 75 anos e é um dos sanfoneiros mais conhecidos de Feira de Santana. O cantor J. Sobrinho cantou com ele.

Manifestação

Depois das apresentações, enquanto Baio do Acordeom aguardava o resultado do júri técnico e do júri popular, um grupo de professores da Uefs usando uma faixa chamou atenção do público sobre a greve que paralisou as aulas na universidade. A professora Marilene Rocha diz que a greve já tem 40 dias e o governo da Bahia não consegue resolver a situação.

“Não temos resolução para nossa greve. Pedimos não só o reajuste salarial, que é a reposição da inflação, mas também estamos lutando para sobreviver com o corte de verba. O público reconhece nossa luta e reconhece essa universidade como patrimônio do povo baiano e esse festival é um exemplo disso. Estamos defendendo esse patrimônio para manter isso vivo”, afirmou.

Oportunidade para comerciantes

Na parte externa do auditório central foram instaladas barracas com comidas e bebidas típicas do período junino. A comerciante Laurença Ferreira dos Santos disse que esse é um período para faturar.

“O movimento está muito bom. Estou vendendo bolo, salgado, torta, licor, água, guaraná. É uma oportunidade muito boa. A gente já vende aqui sempre na Uefs, mas devido a greve não estamos vindo todos os dias, pois não tem movimento”, afirmou.

Ganhadores comemoram

Na categoria infanto-juvenil, o júri técnico escolheu o garoto Wendel Freitas da cidade de Itapetim em Pernambuco. Ele estava muito feliz com o resultado e disse que vai ajudar o pai com o dinheiro da competição. “Vou ajudar minha família e me sinto bem por isso. Esperava ficar em terceiro lugar, mas não achava que ganharia em primeiro. Quando crescer vou querer ser sanfoneiro”, disse.

 

Pedro Paulo Ferreira Feitosa, de 15 anos, foi o primeiro colocado na categoria de sanfonas acima de oito baixos. Ele disse que essa foi a quarta vez que participou do festival. “A primeira vez que participei foi em 2013 quando ganhei júri popular, em 2014 eu fiquei em segundo lugar. No ano passado fui campeão na categoria infanto-juvenil e esse ano participei da categoria adulto”.

Escolhido como o segundo colocado no júri técnico e primeiro no júri popular o forrozeiro Estevão do Trio Maracás comemorou o resultado do evento. “É um trabalho que a gente execum ficaria alegre, até por que foi a primeira vez que participei”, afirmou.