Cientistas apontam: Vacina do futuro será autoaplicável e ‘enviada pelo correio’

Paulão 12 de setembro de 2018 | 3:19 pm

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Imagine só a seguinte situação: você quer tomar uma vacina contra a gripe. Mas em vez de procurar o posto de saúde mais próximo, ou mesmo aquela clínica particular que vai cobrar um valor considerável pelo procedimento, você faz uma compra on-line, recebe a dose e uma seringa com microagulha pelo correio e aplica em si mesmo o produto.

Simples? Sim. Impossível? Na verdade, não.

Pelo menos é isso que querem mostrar cientistas da área de imunologia.

Um grupo de 14 pesquisadores de universidades americanas, canadenses e israelenses publicou nesta quarta-feira (12) um artigo no periódico científico “Science Advances” explicando a tecnologia – que, no estudo, foi feita para uma cepa letal de gripe, mas que na vida prática poderia ser aplicada a outros tipos de vacinas.

Os pesquisadores criaram um medicamento para injeção intradérmica – ou seja, na pele, entre a derme e a epiderme –, o que facilita muito o esquema self-service: essa aplicação é fácil e pode ser feita mesmo que a pessoa não tenha nenhum conhecimento médico.

A maioria das vacinas hoje é aplicada com injeção subcutânea, que atinge camadas mais profundas do tecido e, por isso, só pode ser administrada por alguém com conhecimento médico.

As vacinas contra a gripe, por exemplo, são aplicadas no músculo deltoide, que recobre o ombro. Para adultos, usa-se uma agulha que pode chegar a 3,8 centímetros de comprimento.

O método desenvolvido pela equipe atingiu bons resultados tanto em furões – usados para verificar a eficácia dos medicamentos – quanto em humanos, mesmo quando foi testada uma das variedades mais nocivas do vírus da gripe.

O procedimento, conforme explica o artigo, é todo feito sem o auxílio de um profissional.

Pelo mecanismo, o aplicador utiliza uma microagulha que, a partir da pele, pode penetrar nos tecidos profundos ou vasos sanguíneos.

 “Um dia, isto pode ser enviado pelo correio para autoadmistinistração. Isso poderia aliviar grandemente as multidões em centros de saúde no caso de um surto ou de uma pandemia”, afirmam os cientistas no estudo.

O artigo ainda lembra que, mais do que mutirões para aplicar vacinas, um grande desafio enfrentando em períodos críticos, de pandemias, é justamente a produção e a distribuição das vacinas – e a autoaplicação facilitaria a disseminação dos agentes imunológicos na população.

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